Olá Meu grande amor! Escrevo-te para dizer Múltiplas coisas que sinto. O meu coração já está a aquecer, Sabes que não minto E só agora comecei a escrever. Mas o que dizer por palavras? Coisas que nem o coração Consegue alcançar. Não da para transmitir por quadras Nem através das ondas do mar. São sentimentos profundos, Que quebram as defesas Do vazio E atravessam diversos mundos, Perpassam fortalezas, Nadam no rio. Coisas que me tornam Tão pequena. Coisas que transbordam Da minha alma serena. Não cabes dentro de mim E eu dentro de ti não estou Como poderei viver assim? Quando pequena já não sou.
Porque há coisas que o tempo não apaga, o vento não leva e o coração não esquece, é chegado o momento de postar algo dedicado a uma grande amiga e prima! Espero, com isto, retribuir o teu acróstico :) Para quem não a conhece, este poema será exclusivamente dedicado a uma prima muito especial que começava as cartas de infância deste modo: “já sei, a carta é enorme. Bem, só espero que quando acabares de ler ainda te lembres do início.” ou então assim: “ esta carta é um bocado meia toda ridícula mas é a minha mais melhor boa preferida.” Parece estranha? Isto ainda não é nada :) Mas o certo é que são as pessoas invulgares que mais relembramos… Danni, o meu poema para ti aqui vai:
Era uma vez: Duas crianças Que, contando até três, Desembrulhavam esperanças.
Tinham no seu ser Uma alegria sem fim. Apenas queriam viver Como flores de um jardim.
Brincadeiras, travessuras… Sempre unidas, Vivendo aventuras Desmedidas.
Desde as anedotas, Passando pelas partidas Ocultas atrás de portas Ou de roupas escondidas.
Livres, soltas, sonhadoras, O mundo era o nosso lar. Sem leis, espaços nem horas Era sempre tempo de brincar!
Este poema foi escrito há uns aninhos atrás...como tal, está repleto de sentimentos que já não sinto...é interessante ver como estes estão em constante mutação...o que senti ontem não é o que hoje sinto e será diferente do que vou sentir amanhã....
Amar é ter um jardim E querer apenas uma flor. Amar é o que és para mim E assim se vive o amor.
Temos todo o mundo Mas falta sempre alguém, Que nos acalme e abrace E que nos ame também.
Amar é sentir, de repente Essa tua pele quente. É sentir falta, É chorar. É subir uma montanha Só pelo prazer de a escalar.
És um oceano Liberto do mar, Que de mim está perto Mesmo se estando a afastar.
Por entre noites Solitárias, Angustiantes, Sinto sempre uma presença, Uma alma que se esconde. Amar é quem pensa Levantar-se sempre, Ainda que tombe.
Nos caminhos vazios do infinito Por vezes, solta-se o grito Que nos diz o que realmente é amar. E os sentimentos desprendem-se, a flutuar.
E como a ínfima migalha de pão Tem o seu valor, Tu vales para o meu coração E assim se vive o amor.
Foi bom viajar contigo, Conhecer um pouco mais Do teu mundo. Estar ao teu abrigo, Deixar os dias banais E tocar no teu fundo.
É indescritível a tua presença E tudo o resto que me cativa, De um modo especial. Não sei se é elogio ou ofensa Por ti dar a vida, Se sou uma simples mortal.
Pegas-me a mão Sem querer. O que te move é o instinto, Ou talvez o coração. Começo a tremer… Fazes-me carícias Mesmo sem notar. O que te move é o prazer, Ou talvez esse doce olhar. Fazes-me estremecer… Lanças-me palavras , Que tocam suavemente, As minhas mãos suadas E todo o ar envolvente…
Começa a bater leve, Essa musica que me faz RECORDAR-TE! Sinto o teu sorriso, O brilho da tua voz, Os gestos que me prendem. És felicidade breve, Mundo alado que me traz Para o AMAR-TE! Faço o que é preciso Para haver o “nós”. Os carinhos rendem.
A longevidade É possível de aproximar, Subornando-se a realidade Com uma quantia exuberante, Semelhante à água do mar, Que é o chão do navegante.
O infinito É possível contabilizar, Subornando-se a realidade Com uma quantia incalculável, Semelhante ao amor de um lar, Que é a base de uma sociedade aceitável.
O passar do tempo É possível fazer parar, Subornando-se a realidade Com uma quantia desmedida, Semelhante ao oxigénio do ar, Que é essencial à vida.
A realidade É possível falsificar, Subornando-se a razão Com uma quantia inatingível, Que provém do coração E evoca um som audível, Na hora da negociação.
Hoje vou escrever uma poesia Que não rima nem versa. E se, por acaso, rimar e versar Será isso mesmo, obra do acaso. Hoje, aqui e agora, Neste preciso momento, Reflicto um pouco do que sou. Sou ave, ferro e fogo. Sou a alegria de um olhar. Sou pedra, sede, lume. Caminho sem me guiar. Eu simplesmente avanço. Não dou passos de criança. Não piso o chão dos adultos. Eu sou eu. Eu mesma!
Há sensualidade, Em cada gesto que esboças. Por cada sorriso teu, Fica magia no ar. Tenho em mim vontade, Tenho em mim forças, Para desprender o véu E começar a amar.
Soltam-se palavras, Ficam beijos e abraços, Roupas rasgadas, É o último dos passos. Frio na barriga E, depois, calor incessante. Esta é a dura fadiga De todo o amante. Os gritos abafam O ruído da vida, E os corpos se abraçam, Na hora da despedida.
Escrevi este poema quando tinha 15 anos e foi com ele que ganhei o meu primeiro concurso de poesia, a nível escolar. Se fosse hoje, não o escreveria da mesma forma. Aliás, ainda ponderei fazer-lhe algumas alterações mas, posteriormente, abandonei essa hipótese. Se foi isto que senti, na altura, não faz sentido mudá-lo. As pessoas crescem mas as palavras ficam…
Olhar o infinito Sentir multidões Soltar um grito Repleto de emoções.
Olhar um oceano Sem o mar alcançar Fazer de tudo um engano Para nada ter de desvendar.
Olhar o fogo apagado E o gelo escaldante Um sofrimento amargurado Num silêncio falante.
Olhar e não ver Tornar real o imaginário Querer e não ter É esta a lei do contrário.
Olhar em frente Receando o passado Viver o presente Esperando um futuro calado.
Olhar o deserto E uma estrela incandescente Estar perto Mesmo estando ausente.
Olhar uma folha em branco Escrita a tinta preta Realçar o seu encanto Com um lápis ou caneta.
Olhar uma rua Reparar num candeeiro Escutar uma alma nua E um murmúrio alheio.
Olhar o mundo Ambicionando o Universo Ir da superfície ao fundo Num pensamento disperso.
Olhar sorrindo Adormecer chorando Observar sentindo Que alguém nos vai amando.
Olhar um vulcão E na lava descobrir A cor do coração Que bate sem partir.
Olhar o sol Sem reparar no céu Compará-lo a um farol Que por momentos foi meu.
Olhar o chão De cabeça erguida Tocando-lhe com a mão Sem abrir qualquer ferida.
Tudo nesta vida Não passa de um mero acaso, De uma sombra corrompida, De um beco sem saída, E, quando tudo está perdido, Soltam-se as brisas no ar E o teu sexto sentido Diz que o inferno está a chegar.
Respiras e vais respirando, Soltas um breve suspiro, Sentes braços te apertando E os gritos de um vampiro.
Começas a entender o óbvio E o sentido do mundo: Toda a gente possui ódio, Desde a superfície até ao fundo.
E então deixas te levar Pelas trevas da escuridão. A poeira começa a levantar, Em constante agitação.
Nas profundezas do meu ser Já só consigo encontrar A ânsia de sobreviver Até outra dimensão chegar.
O que mais choca É a tortura, Mas já não importa Toda a amargura.
E dás a volta ao problema, Sentes o bater do coração. Tudo não passa de um dilema Sem uma breve explicação.
Por entre anjos e sinfonias, Espreita o dia esperado, Para te irromper alegrias E a sinfonia é o fado.
Não te deixes apanhar Pelas garras afiadas, Que o universo vai recuperar Todas as páginas rasgadas.
E como as árvores despidas Dançam ao sabor do vento, Todas as mágoas e feridas Desaparecem com o tempo.
Talvez um dia tudo que julguei real se torne abstracto e todos os obstáculos, que me atravessam a alma, se integrem num local sobrenatural e mortal, para que, as sombras da angústia e da dor, não mais perturbem quem quer alcançar a paz. Espero por um dia realmente puro e límpido…um dia onde a ocasião e a diferença não se juntem. Um dia vulgar mas especial. Sem motivos nada tem valor, sem valores há que descobrir motivos. Espero alcançar o dia da vitória. Esse dia, será para mim, o dia em que o meu espírito jamais seja interrompido por crises desnecessárias e inválidas. Todos lutamos pelos nossos valores. É pena não darmos valor aos princípios racionais e subjectivos. Se algo se tornar alguém, ou alguém quiser fazer-se passar por algo, ainda nem tudo está perdido. Contudo somos manipulados pelo destino, movidos pelo tempo e arrastados pela vida. Se é que ainda pode chamar-se vida a este jogo. Balançamos com a leve brisa que corre e mantemo-nos firmes com as fortes rajadas do vento, enfurecido pela Natureza. Essa sim domina. Tudo pode. Por exemplo, uma flor, tem vários tons, recortes e formas, no entanto envelhece, perdendo tudo isso, de dia para dia. Talvez origine outra flor. Tudo muda, tudo progride e sai do lugar. Tudo e todos se movem, num ciclo vicioso e arrepiante, denominado vida. Tentar descobrir os segredos deste ciclo é invadir o nosso ser. É tornar profundo o que está claro. Tentar desvendar mistérios, quase sempre é fortalecê-los mais ainda. Ou seja, desvendar é sinónimo de ignorância. Por diversas vezes, ao tentarmos descobrir o “porquê” de algo, criamos mais “porquês” ainda. O melhor talvez seja viver com a ignorância da vida, mas com a sabedoria que ela nos oferece. A isto chamo crescer, e o crescimento interior é ainda um mistério. Porém, ao saber que o contemos, já somos sábios e conscientes de algo e tornamo-nos independentes de dependências.
Tens algo no olhar Que reflecte quem sou E sinto, ao respirar, Que o amor soou. Descontrolas meu coração Que perde os ritmos compassados Como um navio sem direcção, Que procura tesouros espalhados. Desenho os sorrisos Que me fazes esboçar, Por entre cabelos lisos E pele a suar. Nunca te senti perto, Mas tuas palavras bastam Para me levares do deserto, Onde as areias se afastam. Foi um sonho viver, Gritar teu nome na tempestade, Com a água a escorrer, Limpando o pó e a saudade.
Veio lentamente, Quase sem respirar, Este amor ardente Que teima em ficar. É um amor irreal Que veio com o vento, Através dum areal De paz e de alento. Para sempre irá ficar Esta pérola de magia Que já não habita no mar Mas vive connosco, dia a dia. Bastaria um momento, Para sempre lembrar Este sentimento, Que me faz sonhar.
Desde o dia em que nasci Que muitas coisas Não me pareciam leais. Inicialmente, nem as compreendi. Depois, tornaram-se mais reais. Eram coisas que amargavam, Ou que não tinham sabor algum. Descobri pessoas que enganavam, Outras que maltratavam E as que feriam todos, um a um. Comecei a crescer E depressa constatei Que ninguém me iria oferecer Tudo o que já dei. Cheguei à triste conclusão, Que nem todos se parecem comigo. Existem os que têm bom coração Mas também os que apenas têm, Um telhado de vidro.
Sílvia Gonçalves
quarta-feira, 14 de janeiro de 2009
Solto os cabelos ao vento, Dou passos suaves. Desfruto o momento, Elimino os entraves.
Enlaço-me com a noite escura Sem ter refúgio visível. A força perdura Neste coração sensível.
Fecho os olhos lentamente, Respiro o ar envolvente. Possuo uma alma ausente, Dispersa e divergente.
Hoje será, talvez, O primeiro dia de felicidade, Desde o sucedido Que me roubou a serenidade E me deixou o coração ferido.
A respiração já não sufoca E a força está a chegar. Sou como um animal na toca, Que, selvagem, ama o vento e o ar.
Sílvia Gonçalves
segunda-feira, 15 de dezembro de 2008
Sorri, Aproveita o bom da vida Enquanto não souberes que morri Desta amargura, que causou ferida.
O passado não te importa. Continua no presente. Mesmo quando já estiver morta, Sorrirás para sempre.
A força que busco, Só eu sei onde buscar. E os lugares que ofusco, Só eu sei fazer brilhar.
Coração que bate agora Em função das artérias e veias, Já bateste hora a hora Em função de paixões alheias.
Sílvia Gonçalves
sábado, 13 de dezembro de 2008
Dizem que quem luta por amor É herói. Mas e quem luta contra o que sente? Quem ama em silêncio Para não entrar na vida de alguém. Para mim, esses sim são heróis, Guerreiros de uma vida. Também eu assim sou. Necessito tocar-te e sentir-te E nada faço para o conseguir. Vivo aprisionada em memórias E momentos, Que se propagam no tempo. Sinto o teu cheiro Sem estares aqui. Amar em silêncio dói. Dói como ter asas e não poder voar, Ou ter sonhos e não os poder realizar. A minha vida és tu. Não sei se já me esqueces-te ou não, Se me apagas-te do teu coração. Ou melhor, sei. Sei que não o fizes-te Porque se é verdade que o amor existe, Ele está entre nós. Na distância ou na união, quem impera É o coração. Sílvia Gonçalves
quarta-feira, 10 de dezembro de 2008
Este é um momento Em que me falta a tua presença. Olho em redor e não estás. Porquê?
A respiração aperta, O corpo começa a tremer. Queria parar de sofrer.
Sem ti sou uma sombra apenas. Penso no teu sorriso, Na tua forma de ser. Queria parar de sofrer.
Tantos momentos felizes Parados no tempo. E o tempo presente Começa a enevoar. Só agora me dou conta, Que não enevoou de verdade, São apenas os meus olhos a chorar.