quarta-feira, 5 de agosto de 2009
UM DESAFIO
Ali, sentado, contava os dias até voltar para casa. Não gostava daquele lugar. Fora obrigado a mudar-se, com os tios, sem saber bem porquê. “É só por algum tempo Zezinho”-diziam.
Na realidade, é difícil explicar a uma criança de cinco anos, versátil como ele, que o pai estava a morrer, vítima de cancro. Era difícil dizer que ele não podia estar junto do pai durante algum tempo até a doença estabilizar ou……….a vida do seu pai ter um término.
Zezinho não entendia. Sabia que algo não estava dentro da normalidade.
Ali, com o gatito cinzento no colo, olhava pela janela aquela que julgava ser a direcção da sua casa.
ESTA HISTÓRIA NÃO ESTÁ CONCLUIDA! (como deves ter reparado)
LANÇO AQUI UM DESAFIO: algum blog continuar a história, sem a terminar, passando-a a outro blog e assim sucessivamente.
Vamos usar este mundo virtual para cruzar a imaginação de muitos com a originalidade de alguns :)
Quem quiser ser o primeiro a continuar esta história deve deixar um comentário nesta postagem, advertindo da sua intenção a fim de que não continuem com a história mais do que uma pessoa, em simultâneo.
Bjs, fico à espera que gostem de desafios :)
Imaginar é ir mais além, sem sair do lugar!

Se eu me perdesse no deserto? Juro que não sei o que faria. Talvez caminhasse até perder as forças.
Quantas vezes as nossas vidas são desertos: vazias e secas.
Talvez escrevesse: HELP ME na areia, em letras tão grandes quanto o meu desespero, na certeza de que algum ser aéreo (talvez um avião) conseguisse ler o meu pedido. Pedido que duraria apenas os poucos minutos em que o vento não se lembraria de arrastar a areia.
Talvez emitisse sons na esperança de que alguém me ouvisse, quem sabe um animal. Mas por pouco tempo, não podia perder as forças.
Se eu me perdesse no deserto, apesar da esperança da qual o meu corpo é composto, tenho a convicção de que morreria. E tu? Que farias se te perdesses no deserto?
segunda-feira, 3 de agosto de 2009
Tela

Que a névoa tenta ocultar,
Lançando espelhos baços
E ruídos de assustar.
Existem escadas que conduzem
Onde nunca quero estar
E candeeiros que reluzem
O brilho do teu olhar.
De olhos fechados
Alcanço-te melhor.
Vislumbro os momentos passados.
Momentos de eterna luz, eterna dor.
É uma vida pintada a pincel
Esta que sozinha percorro,
Formando a tela mais fiel
De todas as vidas de entre o povo.
Sílvia Gonçalves
domingo, 2 de agosto de 2009
Partes de mim
A pele uso para sentir.O corpo é o meu engenho,
Ao qual recorro para transmitir
Todas as sensações que tenho.
Meus olhos são amoras
Que teimo em cultivar,
Por entre ânsias e demoras,
Sem nunca cegar.
Ao meu suor
Os meus poros não se opõem,
Transpirando também o amor
Que os meus ventrículos compõem.
Tenho unhas de ilusão
E mãos de recados.
Construo o meu coração
Com tijolos de pecados.
Fios de ceda
Nascem em mim
Como erva na alameda
Num dia de frenesim.
Sou partes oblíquas
Que forçadas, se conjugam
Como máquinas agrícolas
Que a terra perturbam.
Sílvia Gonçalves
sábado, 1 de agosto de 2009
Viva o Verão!
Momentos agradáveis,
Enlaçados na água do mar,
Alheios à areia fina.
Momentos quentes,
Momentos molhados.
Sorrisos que cercam
Os acontecimentos normais.
Vozes misturadas
Como bolas de bilhar.
Amizades saudáveis
Pairam pelo ar.
Nuvens em baixo e em cima
Dos beijos calmos e ardentes.
Namorados enrolados
Que já nem pecam,
São actos banais.
Toalhas molhadas
Teimam em reinar.
Sílvia Gonçalves
Tempo para reflectir

Cansada da minha carcaça (gostava de vestir outra pele)
Como eu gostavaDe ser sobrenatural.
A humanidade limita-me.
Gostava de não ter barreiras,
De poder voar,
De passar entre o fogo.
Gostava de morrer
E acordar quando quisesse.
A humanidade limita-me.
Gostava que tudo
Fosse acaso.
E acontecesse
O inesperado.
Gostava de atingir o inimaginável,
De chegar ao impossível.
Adorava ser uma criatura
Diferente e livre.
A humanidade limita-me.
Amava tocar todas as sinfonias
Num piano quebrado.
Eu só queria ser um monstro belo,
Um mostro com sentimentos.
Ter asas e velocidade.
Eu queria não pertencer aqui,
Queria ser doutra galáxia.
Mas…
A HUMANIDADE LIMITA-ME.
Sílvia Gonçalves
Morre lentamente…

…quem não sabe amar,
Quem foge dos perigos,
Quem cai na rotina,
Quem teme arriscar,
Quem nunca anda à chuva,
Quem não segue a emoção,
Quem planeia toda a vida,
Quem nunca salta o portão,
Quem não sabe abraçar,
Quem desaprendeu a sorrir,
Quem nunca pisa o risco,
Quem vive a dormir,
Quem se protege de tudo,
Quem não anda descalço,
Quem não se lança ao mar,
Quem não percorre o mundo,
Quem só fala com quem conhece,
Quem não se lança num amor proibido,
Quem nunca abusa do que gosta,
Quem nunca faz alarido.
Morre lentamente
Quem não sabe durar,
Quem teme ser diferente
E se recusa a amar.
Sílvia Gonçalves
Alta tensão

Faíscas que caem.
Paredes de horror,
Fantasmas que saem.
Vidros partidos,
Véus rasgados.
Sonhos feridos,
Momentos apagados.
Alta tensão,
Que aumenta
O bater do coração.
Arde o sabor a menta.
Prendem-me o corpo
Com cadeados de aço.
Corpo vivo, corpo morto.
Corpo sem braços.
Momentos cristalizados
Com o sémen da vida.
Olhos abertos, olhos fechados.
Estanca-me a ferida.
Rumo desajeitado,
Este que me cerca
Para todo o lado,
Onde a essência peca.
Sílvia Gonçalves
Ideal de beleza? Para quê?
Não existem seres iguais,Tirando excepções diminutas.
Então, não fazem sentido os ideais
Que nos conduzem a disputas.
Todos somos belos, simplesmente.
Não há como saber quem o é mais.
Isso seria apelidar alguém de diferente,
Fugindo das regras normais.
Olhos verdes, azuis, castanhos
Que diferença faz?
Para quê cuidados tamanhos?
O essencial é usufruir de paz.
Rugas ou pele lisa.
A pele é para sentir
Mesmo a melodia imprecisa
De quem já não sabe ouvir.
A beleza é relativa
Eu posso gostar de quem não gostas.
Achar uma pessoa atractiva
Mesmo apenas vendo-a de costas.
Não fazem sentido algum
As exclusões.
Adão era só um,
Logo não sofreu comparações.
Eva amou-o desde logo.
Mas e se houvessem mais?
Escolheria Adão de entre o povo
Ou render-se-ia às comparações fatais?
Eva e Adão,
Histórias sem certeza.
Mas o que importa é o coração
E não a suposta beleza.
Sílvia Gonçalves
Há momentos em que me apetece escrever aos fragmentos…
Es tou dis tan te,Alhe ia a tu do
Co mo um vi a jan te,
Em ro ta pe lo mun do.
Sou pe da ços un i dos
Com von ta de i ne ren te,
Que fo ge dos pe ri gos
Nu ma lu ta cres cen te.
Há alturas, nesta caminhada denominada vida, que só escrevendo de acordo com o nosso estado de espírito é que as palavras se espraiam e conseguimos comunicar. Portanto, hoje, sinto-me fragmentada. Não fragmentada como uma estrela-do-mar mas fragmentada como um pedaço de papel que se rasga sem notar. Da estrela, resta-me apenas algum brilho que faço questão de preservar. Há momentos assim…
Sílvia Gonçalves
segunda-feira, 20 de julho de 2009
Tempestade em nós

Há dias em que apenas chove no meu mundo...Chovem saudades, chovem intrigas, chovem conflitos, chovem tristezas...
Tudo o que faço é abrir o guarda-chuva dos sorrisos e mostrá-lo ao mundo. Porque, quando chove em nós mesmos, mesmo ao nosso lado pode estar o sol mais brilhante do mundo.
Não se deixem molhar!
Sílvia Gonçalves
Identidade

Chamo-me apatia
Porque a alma me consome,
Seja noite seja dia.
A vida para mim mudou.
Já não sou quem era.
Agora eu sou
A apatia que cega.
Este letargo,
Que em mim se exalta
Mergulha-me num lago
De maré baixa e maré alta.
Já não sou uniforme.
Agora, vou sendo.
Mudei de nome.
Vou renascendo.
Sílvia Gonçalves
Fusão

Há dias em que me apetece
Fundir com a Natureza.
Ser uma montanha agreste,
Ser o mar azul-turquesa.
Fazer do meu coração
A vida de um planalto.
Ser a lava de um vulcão,
Ser raiz presa no asfalto.
Fazer das minhas veias
As veias da terra.
Ser parte das teias
De uma aranha negra.
Há dias em que me apetece
Mudar de temperamento.
Evocar uma prece
E soltar o cabelo ao vento.
Sílvia Gonçalves
domingo, 19 de julho de 2009

Soltava as pétalas ao vento
E guardava todo o calor
Para dormir ao relento.
Se eu fosse mar?
Desprendia-me dos rochedos
Para poder respirar,
Libertando todos os medos.
Se eu fosse horizonte?
Guardaria todos os navios
E seria a fonte
De tesouros perdidos.
Se eu fosse bola de sabão?
Preferia ser palhaço
Para te tocar o coração
E te dar mais um abraço.
Se eu fosse imortal?
Cansar-me-ia da vida
Porque viver uma vez é normal
Mas mais que isso já é teimosia.
Sílvia Gonçalves
sábado, 18 de julho de 2009
Para o blog "Pedaços de qualquer coisa"
O fim do princípio

Todos nós somos
Animais.
Então porque nos impomos?
Por sermos racionais?
Destruímos o mundo
Com a ciência e a tecnologia
Mesmo sabendo, lá no fundo,
Que tudo isto é excesso de ousadia.
Criam-se curas para salvar
E curas para abater.
Quando é que a humanidade vai notar
Que o planeta está a morrer?
Agimos no hoje,
Esquecendo o amanhã.
É um egoísmo que vem de longe
E jamais terminará.
Não vos faz pena
Matar os animais?
Não é isto um problema?
Seres tão únicos e leais.
Para espiar
Criou-se o GPS.
Depois, para relaxar
Inventa-se pastilhas anti-stress.
Que raiva que me causa
Este mundo artificial.
É uma raiva que não pausa
Envolta neste “paraíso” fatal.
Continuem a pensar no comodismo
E a guiar esta triste frota.
Eu até vou usar um eufemismo
Ao dizer que vamos todos bater a bota.
Mas o Homem não pensa assim.
Acha-se um Deus, um dominante.
E quando já só restar o fim
Não haverá ciência que se levante.
E, embora humana, digo
Que aí o Homem havia de sofrer.
Havia de perder o rumo e o sentido,
Pagando pelas vidas que deixou morrer.
Sílvia Gonçalves
sábado, 11 de julho de 2009
Carta desviada
OláMeu grande amor!
Escrevo-te para dizer
Múltiplas coisas que sinto.
O meu coração já está a aquecer,
Sabes que não minto
E só agora comecei a escrever.
Mas o que dizer por palavras?
Coisas que nem o coração
Consegue alcançar.
Não da para transmitir por quadras
Nem através das ondas do mar.
São sentimentos profundos,
Que quebram as defesas
Do vazio
E atravessam diversos mundos,
Perpassam fortalezas,
Nadam no rio.
Coisas que me tornam
Tão pequena.
Coisas que transbordam
Da minha alma serena.
Não cabes dentro de mim
E eu dentro de ti não estou
Como poderei viver assim?
Quando pequena já não sou.
Sílvia Gonçalves
Porque há coisas que nunca se esquecem...

Porque há coisas que o tempo não apaga, o vento não leva e o coração não esquece, é chegado o momento de postar algo dedicado a uma grande amiga e prima! Espero, com isto, retribuir o teu acróstico :)
Para quem não a conhece, este poema será exclusivamente dedicado a uma prima muito especial que começava as cartas de infância deste modo: “já sei, a carta é enorme. Bem, só espero que quando acabares de ler ainda te lembres do início.” ou então assim: “ esta carta é um bocado meia toda ridícula mas é a minha mais melhor boa preferida.”
Parece estranha? Isto ainda não é nada :)
Mas o certo é que são as pessoas invulgares que mais relembramos…
Danni, o meu poema para ti aqui vai:
Era uma vez:
Duas crianças
Que, contando até três,
Desembrulhavam esperanças.
Tinham no seu ser
Uma alegria sem fim.
Apenas queriam viver
Como flores de um jardim.
Brincadeiras, travessuras…
Sempre unidas,
Vivendo aventuras
Desmedidas.
Desde as anedotas,
Passando pelas partidas
Ocultas atrás de portas
Ou de roupas escondidas.
Livres, soltas, sonhadoras,
O mundo era o nosso lar.
Sem leis, espaços nem horas
Era sempre tempo de brincar!
Sílvia Gonçalves
sexta-feira, 10 de julho de 2009
Pensamentos vãos

E se eu caísse do céu,
Ao tropeçar num astro
E aterrasse num ilhéu
Ou no cimo de um mastro?
E se perdesse a identidade
E tudo o que daí pode advir,
Pela força da gravidade,
Uma vez que estava a cair?
E se eu ganhasse asas
No momento da queda?
E pousasse em casas
Feitas de pedra?
E se eu parasse de sonhar,
Acordando para a realidade?
Certamente iria constatar
Que ganhar asas e voar
Não é próprio da humanidade.
Sílvia Gonçalves
Amar
E querer apenas uma flor.
Amar é o que és para mim
E assim se vive o amor.
Temos todo o mundo
Mas falta sempre alguém,
Que nos acalme e abrace
E que nos ame também.
Amar é sentir, de repente
Essa tua pele quente.
É sentir falta,
É chorar.
É subir uma montanha
Só pelo prazer de a escalar.
És um oceano
Liberto do mar,
Que de mim está perto
Mesmo se estando a afastar.
Por entre noites
Solitárias,
Angustiantes,
Sinto sempre uma presença,
Uma alma que se esconde.
Amar é quem pensa
Levantar-se sempre,
Ainda que tombe.
Nos caminhos vazios do infinito
Por vezes, solta-se o grito
Que nos diz o que realmente é amar.
E os sentimentos desprendem-se, a flutuar.
E como a ínfima migalha de pão
Tem o seu valor,
Tu vales para o meu coração
E assim se vive o amor.
Sílvia Gonçalves
segunda-feira, 6 de julho de 2009
(Vi)ver-te
Amar-me-ás sem saber?
domingo, 5 de julho de 2009
Tu e a noite

A noite saiu à rua,
Num dia especial,
Em que a tua amargura
Que, normalmente, perdura
Se tornou fatal.
Ela vestiu-se de negro
De uma forma ocasional,
Livre no seu enredo,
Ela saiu, sem medo
E tu, com esse ar fatal.
Parecias mais sombrio
Que ela.
Envolto nessa amargura,
Caíste do poderio.
O calor passou a frio
E acendeste uma vela.
Sílvia Gonçalves
quarta-feira, 1 de julho de 2009
Deturpando a realidade

É possível de aproximar,
Subornando-se a realidade
Com uma quantia exuberante,
Semelhante à água do mar,
Que é o chão do navegante.
O infinito
É possível contabilizar,
Subornando-se a realidade
Com uma quantia incalculável,
Semelhante ao amor de um lar,
Que é a base de uma sociedade aceitável.
O passar do tempo
É possível fazer parar,
Subornando-se a realidade
Com uma quantia desmedida,
Semelhante ao oxigénio do ar,
Que é essencial à vida.
A realidade
É possível falsificar,
Subornando-se a razão
Com uma quantia inatingível,
Que provém do coração
E evoca um som audível,
Na hora da negociação.
Sílvia Gonçalves
A matéria da vida
Sem uma lição estudada,
Com um desconhecimento profundo
E um caderno de nada.
Possuíamos existência, apenas.
Não tínhamos manual de instruções,
O que nos causava dilemas,
Sem aparentes soluções.
Gradualmente, fomos concebendo
Um saber algo abrangente.
O passado íamos retendo
Em função do presente.
Cada experiência,
Uma página caligrafada.
E, através da convivência,
Íamos enchendo o caderno do nada.
Num comportamento terno
E sem exagerado aparato,
Descobrimos que este caderno
Era o nosso auto - retrato.
Era um caderno normal
Cuja capa não era forte.
E quando chegou ao final
Metaforizou a morte.
Sílvia Gonçalves
quarta-feira, 24 de junho de 2009
Sentimento
Esse teu olhar
Envolve todo o meu ser.
A tua essência é pura,
Faz-me adormecer
E sonhar
Num mundo que perdura,
Que não faz doer.
Os teus gestos
São folhas ao vento.
E os teus afectos,
Livres e breves,
São naturais e incertos,
São flocos de neve.
Não poder envolver-me
Na tua galáxia perdida
Não acalenta o meu coração.
Mas sei que me sentes
Quando me estendes a mão,
Quando me fechas uma ferida.
Certamente que és
Uma nuvem do céu.
E eu serei para sempre
Um anjo teu.
Com as minhas asas,
Elevar-te-ei ao infinito.
Com a tua suavidade,
Irás desprender-me o grito:
AMO-TE
Sílvia Gonçalves
sexta-feira, 19 de junho de 2009
Paisagem imaginada

Feita de sombras e vultos
Onde a dor oprime
E existem segredos ocultos.
Possuía uma lagoa
E uma névoa cinzenta.
Onde a dor magoa
E a paz não entra.
Tinha apenas um habitante
Que vivia solitário,
Com uma dor ofegante
E aspecto centenário.
Era um lugar singular
Que não existia realmente
Mas que ousei imaginar
Com a força da minha mente.
Sílvia Gonçalves
quinta-feira, 18 de junho de 2009
As crianças
Olham páginas em branco
E avistam cor.
Refugiam-se de baixo de um manto
De carinho e de amor.
Deslocam-se em bicos de pés
Quando querem uma carícia
E lutam contra ventos e marés,
Lealmente, sem malícia.
Pintam paredes de sonhos
Com a tinta da imaginação.
Possuem corações medonhos
Mas que cabem numa mão.
São a alma do futuro
Vindas de um passado recente.
Ainda não têm um espírito maduro.
Mas o alcançarão, calmamente.
Percorrem caminhos de descoberta
Sem os pedirem a ninguém.
E, porque a vida não é certa,
Por vezes, tratam-nas com desdém.
Ainda muito haveria para contar
Sobre os caminhantes desta faixa etária.
Mas, tal como eles, vou brincar
E pousar a caneta na secretária.
Sílvia Gonçalves
sábado, 13 de junho de 2009
Eu,só eu
Que não rima nem versa.
E se, por acaso, rimar e versar
Será isso mesmo, obra do acaso.
Hoje, aqui e agora,
Neste preciso momento,
Reflicto um pouco do que sou.
Sou ave, ferro e fogo.
Sou a alegria de um olhar.
Sou pedra, sede, lume.
Caminho sem me guiar.
Eu simplesmente avanço.
Não dou passos de criança.
Não piso o chão dos adultos.
Eu sou eu.
Eu mesma!
Sílvia Gonçalves
terça-feira, 9 de junho de 2009
12ºC
A vida juntou-nos, simplesmente.
Quis que, juntos, formássemos um só.
Fê-lo sem uma razão aparente,
Como se fossemos peças de um dominó.
Ela jogou com cada um de nós
De forma a nos enquadrar,
Num mundo de silêncio e de voz,
Que nunca se iria quebrar.
Silêncios mudos
E vozes expressivas.
Fomos alunos
Das nossas próprias vidas.
Sorrisos nos lábios
E um brilho no olhar,
Fomos ignorantes, fomos sábios
Aprendizes do amar.
Uma vez unidos,
Sempre assim nos mantivemos.
E os momentos vividos
Jamais esqueceremos.
Juntos, fomos terra.
Juntos, fomos mar.
Fomos a alegria que se eleva
Quando o destino quer chorar.
E é assim que vos recordo:
Gente alegre e amiga
Que mesmo já não estando a bordo,
Estarão sempre na minha vida.
Sílvia Gonçalves
sexta-feira, 15 de maio de 2009
nuvem, pássaro, lua...
Uma nuvem passou,Ao de leve
Sobre a lua.
E um canto de pássaro
Ecoou,
Canto livre e breve
Como essa alma que é tua.
A nuvem seguiu em frente,
Deslizando com o vento.
Vento forte e frio.
E o pássaro calou
De repente,
Calou por um momento.
Pássaro selvagem e luzidio.
A nuvem desapareceu
No mar.
Mar salgado.
Noite amena.
O teu corpo bebeu,
Ao respirar,
O meu suor derramado.
E o pássaro solta uma pena.
Sílvia Gonçalves
sábado, 2 de maio de 2009
sexta-feira, 1 de maio de 2009
Olhares esquecidos

Numa noite sem lua,
Onde a escuridão
Me queria dar a mão.
Estremeci…
E foi quando vi
Um cão que me olhava,
Enquanto passava.
Olhar terno.
Olhar sereno.
Que nem se moveu
A nenhum movimento meu.
O meu medo foi em vão
Perante tão dócil cão.
Tive vontade de lhe sorrir,
De saber o que estava a sentir.
E houve um momento,
Em que senti cá dentro
Que o consegui entender,
Apesar de a outra espécie pertencer.
Fui-me afastando
E ele sempre olhando.
Mas mais nada tinha para lhe dar
A não ser um último olhar.
E aquele animal,
Com carácter tão especial,
Fez-me reflectir
No mal que está para vir.
Quantos olhares ignoramos?
Nem sequer nos importamos…
E o futuro somos nós?
Que deixamos olhares sós…
Sílvia Gonçalves
Foi no dia 25 de Abril (centenário da Banda Musical de Fornos)

Como há muito não acontece,
Especial e inigualável.
Dia de relembrar,
Dia de luz,
Dia de prece.
Todos unidos a cantar
Por aqueles que já não temos.
E uma pena eleva-se no ar,
Lembrando os tempos efémeros.
Sobe,
Sobe lentamente,
Parece que vai embalada
Pela canção dolente,
Cantada pela rapaziada.
É bom evocar
Todos aqueles que partiram.
Isso ajuda-nos a mudar,
A perseverar o que construíram.
A pena deixou de se avistar.
O vento soprou…
As pessoas movem-se de lugar.
E a canção terminou…
Sílvia Gonçalves
Amores proibidos

Coisas únicas e especiais
Que diluem os cansaços,
Que categorizam os casais.
Juntos olham as estrelas.
Juntos correm pelo mar.
Juntos fazem coisas belas.
Juntos!...aprendem a amar.
Suspiros, ternuras, risos
Corações a bater forte.
São sentimentos imprecisos
Que nos conferem paz e sorte.
Juntos na dor.
Juntos na alegria.
Juntos no amor.
Juntos!... noite e dia.
São partes iguais
Enlaçando-se meigamente.
São casais
Que se amam realmente.
Eis que termina a magia…
E pergunto:
Para onde foram
Os amores que foram, um dia?
Sílvia Gonçalves
terça-feira, 14 de abril de 2009
domingo, 12 de abril de 2009
Noite de amor
quinta-feira, 9 de abril de 2009
Lua cheia
quarta-feira, 8 de abril de 2009
Olhar
Se fosse hoje, não o escreveria da mesma forma. Aliás, ainda ponderei fazer-lhe algumas alterações mas, posteriormente, abandonei essa hipótese. Se foi isto que senti, na altura, não faz sentido mudá-lo.
As pessoas crescem mas as palavras ficam…
Sentir multidões
Soltar um grito
Repleto de emoções.
Olhar um oceano
Sem o mar alcançar
Fazer de tudo um engano
Para nada ter de desvendar.
Olhar o fogo apagado
E o gelo escaldante
Um sofrimento amargurado
Num silêncio falante.
Olhar e não ver
Tornar real o imaginário
Querer e não ter
É esta a lei do contrário.
Olhar em frente
Receando o passado
Viver o presente
Esperando um futuro calado.
Olhar o deserto
E uma estrela incandescente
Estar perto
Mesmo estando ausente.
Olhar uma folha em branco
Escrita a tinta preta
Realçar o seu encanto
Com um lápis ou caneta.
Olhar uma rua
Reparar num candeeiro
Escutar uma alma nua
E um murmúrio alheio.
Olhar o mundo
Ambicionando o Universo
Ir da superfície ao fundo
Num pensamento disperso.
Olhar sorrindo
Adormecer chorando
Observar sentindo
Que alguém nos vai amando.
Olhar um vulcão
E na lava descobrir
A cor do coração
Que bate sem partir.
Olhar o sol
Sem reparar no céu
Compará-lo a um farol
Que por momentos foi meu.
Olhar o chão
De cabeça erguida
Tocando-lhe com a mão
Sem abrir qualquer ferida.
Olhar
E viver olhando
Sonhar
E viver sonhando.
Sílvia Gonçalves
terça-feira, 7 de abril de 2009
Tentar chegar

Tudo nesta vida
Não passa de um mero acaso,
De uma sombra corrompida,
De um beco sem saída,
E, quando tudo está perdido,
Soltam-se as brisas no ar
E o teu sexto sentido
Diz que o inferno está a chegar.
Respiras e vais respirando,
Soltas um breve suspiro,
Sentes braços te apertando
E os gritos de um vampiro.
Começas a entender o óbvio
E o sentido do mundo:
Toda a gente possui ódio,
Desde a superfície até ao fundo.
E então deixas te levar
Pelas trevas da escuridão.
A poeira começa a levantar,
Em constante agitação.
Nas profundezas do meu ser
Já só consigo encontrar
A ânsia de sobreviver
Até outra dimensão chegar.
O que mais choca
É a tortura,
Mas já não importa
Toda a amargura.
E dás a volta ao problema,
Sentes o bater do coração.
Tudo não passa de um dilema
Sem uma breve explicação.
Por entre anjos e sinfonias,
Espreita o dia esperado,
Para te irromper alegrias
E a sinfonia é o fado.
Não te deixes apanhar
Pelas garras afiadas,
Que o universo vai recuperar
Todas as páginas rasgadas.
E como as árvores despidas
Dançam ao sabor do vento,
Todas as mágoas e feridas
Desaparecem com o tempo.
Sílvia Gonçalves
domingo, 5 de abril de 2009
A ignorância de ser ignorante
Talvez um dia tudo que julguei real se torne abstracto e todos os obstáculos, que me atravessam a alma, se integrem num local sobrenatural e mortal, para que, as sombras da angústia e da dor, não mais perturbem quem quer alcançar a paz.
Espero por um dia realmente puro e límpido…um dia onde a ocasião e a diferença não se juntem. Um dia vulgar mas especial.
Sem motivos nada tem valor, sem valores há que descobrir motivos.
Espero alcançar o dia da vitória. Esse dia, será para mim, o dia em que o meu espírito jamais seja interrompido por crises desnecessárias e inválidas.
Todos lutamos pelos nossos valores. É pena não darmos valor aos princípios racionais e subjectivos.
Se algo se tornar alguém, ou alguém quiser fazer-se passar por algo, ainda nem tudo está perdido.
Contudo somos manipulados pelo destino, movidos pelo tempo e arrastados pela vida. Se é que ainda pode chamar-se vida a este jogo.
Balançamos com a leve brisa que corre e mantemo-nos firmes com as fortes rajadas do vento, enfurecido pela Natureza. Essa sim domina. Tudo pode.
Por exemplo, uma flor, tem vários tons, recortes e formas, no entanto envelhece, perdendo tudo isso, de dia para dia. Talvez origine outra flor.
Tudo muda, tudo progride e sai do lugar. Tudo e todos se movem, num ciclo vicioso e arrepiante, denominado vida.
Tentar descobrir os segredos deste ciclo é invadir o nosso ser. É tornar profundo o que está claro. Tentar desvendar mistérios, quase sempre é fortalecê-los mais ainda. Ou seja, desvendar é sinónimo de ignorância.
Por diversas vezes, ao tentarmos descobrir o “porquê” de algo, criamos mais “porquês” ainda.
O melhor talvez seja viver com a ignorância da vida, mas com a sabedoria que ela nos oferece.
A isto chamo crescer, e o crescimento interior é ainda um mistério. Porém, ao saber que o contemos, já somos sábios e conscientes de algo e tornamo-nos independentes de dependências.
Sílvia Margarida da Silva Gonçalves.
quarta-feira, 1 de abril de 2009
Vagueando pela mente

No recanto do meu mundo,
Sem rumo nem lei,
Só com um vazio profundo.
Subi a escada do pensamento,
Passando pelo patamar da razão.
E cruzei-me com um velho avarento,
De seu nome Coração.
Surgiu, entre nós, uma conversa
Que rapidamente terminou,
Porque o velho estava com pressa
E quase nem me ligou.
Continuei o meu destino
Até alcançar a imaginação,
Que me tratou com carinho,
Melhor que o velho Coração.
No caminho de regresso
Tropecei num objecto.
E confesso,
Que me desviou o trajecto.
Mas, na vida, isso acontece até à morte,
Pensando que vamos para Este
Somos arrastados para Norte.
O destino é que nos tece.
Sílvia Gonçalves
Do que tenho medo
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Nem de animais rastejantes.
O que me assusta é a solidão
E certos sentimentos importantes.
Vou tentar explicar…
Eu temo a alegria,
A sua efemeridade.
Por isso, não tenho a ousadia
De a tornar realidade.
Tenho medo do calor,
Se a seguir vou gelar.
Por isso, fujo do amor
Para não me constipar.
Aquilo de que tenho medo
É saber que o que tenho hoje,
Pode não passar de um segredo,
Que, se ventar, se escapa, foge.
Sílvia Gonçalves
Persistir

Voltei a queimar.
Fiz das tripas coração
E transformei-as em carvão.
Quando as velas se quebraram,
Acendi um castiçal
E reavivei a iluminação,
Com o gesto de uma mão.
Se o mundo estiver a findar
Ainda o posso soerguer,
Com a força que tiver.
Se o mundo, enfim, deixar.
Sílvia Gonçalves
sábado, 28 de março de 2009
Indefinição

Tens algo no olhar
Que reflecte quem sou
E sinto, ao respirar,
Que o amor soou.
Descontrolas meu coração
Que perde os ritmos compassados
Como um navio sem direcção,
Que procura tesouros espalhados.
Desenho os sorrisos
Que me fazes esboçar,
Por entre cabelos lisos
E pele a suar.
Nunca te senti perto,
Mas tuas palavras bastam
Para me levares do deserto,
Onde as areias se afastam.
Foi um sonho viver,
Gritar teu nome na tempestade,
Com a água a escorrer,
Limpando o pó e a saudade.
Sílvia Gonçalves










