terça-feira, 1 de setembro de 2009

Coisas que acontecem


Pensei que os teus braços
Eram o meu refúgio
E que os teus passos
Traduziam o modo certo de andar.
Pensei que tudo que sonhavas
Era possível realizar.
Acreditei que se quisesses
Podias parar o vento,
Podias secar o mar
Com um doce movimento,
Com a força de um olhar.
Perdi-me no teu corpo.
Julguei ser esse o meu lugar.
Lugar infindável,
Feito para amar.
Nem chegaste a saber
Tudo aquilo que sou.
E apesar de sofrer
Não faz mal, já passou.


Sílvia Gonçalves

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Amor numa matrícula


Quando alguém viaja, uma das coisas que prende a sua atenção são as matrículas dos automóveis pertencentes ao seu país. Se vamos para fora, ao avistarmos matrículas portuguesas cresce em nós patriotismo ou este nasce, se até então nunca o tínhamos sentido.
Manifestamos uma enorme fraternidade para com esses condutores que, tal como nós, vagueiam por terras tão distantes das origens.
Se, por outro lado, estamos dentro do nosso país o que cresce ou nasce em nós é a falta de civismo e a inimizade. É estranho, mas é o que acontece.
É necessário ir para terras distantes para expressarmos o amor à pátria, o amor à nação?
Depois todo o mundo se queixa dos nossos governantes, quando o amor a Portugal, primeiramente, deveria ser expresso por nós mesmos. Cidadãos activos na vida social pertencente ao seu país de origem, ao país que nos gerou. O patriotismo devia sair de nós de modo genuíno e nunca activado por uma matrícula qualquer.
Esta situação é o mesmo que amar apenas os nossos filhos quando eles estão fora de casa porque dentro estão demasiado perto e nem os notamos.
Conclui-se que é preciso sentir falta para acolher em vez de acolher porque se sente falta.
É o mundo que temos.



Sílvia Gonçalves

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

A minha poesia

Poesias indeléveis
Estas em que mergulho,
Rompendo alianças e anéis,
Rompendo tristeza e orgulho.

Vida alta.
Vida ousada
Que se vai, já não volta.
Vai até divisar a madrugada.

Sou uma rosa,
Nem sempre negra.
Pois se em mim corre poesia e prosa
De rosa, passo a seda.

Conchas, lamparinas e flores
Nada têm em comum.
São como todas as dores,
Concebidas para cada um.

Meu doce, alado e fiel poema
És o que melhor me sabe escutar.
Absorves-me dilema a dilema.
És o meu suave despertar.

Sílvia Gonçalves

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Doce...não como mel, sim como um beijo


Foi recentemente. Numa cerimónia religiosa.
O sacerdote que fez o sermão (e que belo sermão) disse algo que me fez reflectir. Foi mais ou menos assim: Jesus, palavra tão doce que só é possível pronunciar com um beijo.
Inicialmente, esta frase intrigou-me pelo que julguei que fosse uma espécie de metáfora usada para realçar a doçura, a divindade de Jesus. Só depois, alheia ao que se passava à minha volta, pronunciei a palavra “Jesus” para o meu intimo e notei que os meus lábios adquiriam a forma de um beijo. Como aliás os lábios de toda a gente que proferisse a mesma palavra.
Ali, naquele instante, percebi a frase do sacerdote. Frase inteligente, pensei.
Fui criada envolta na fé cristã e só aos 18 anos me dei conta que só conseguimos proferir a palavra “Jesus” com os lábios prontos a beijar. Como que prontos a beijar essa mesma palavra. Coincidência? Há coisas que dão que pensar. Se não fosse o estar ali, naquela igreja, naquele dia, estou certa de que nunca iria dar-me conta deste mistério desarmado.
Quantas vezes estamos tão perto e tão longe de coisas magníficas. Coisas simples que ganham forma e dimensão por isso.
Naquela hora senti-me rica. Mais rica até do que se tivesse lido 20 obras de um escritor romano qualquer.
Há coisas que nos aumentam a sabedoria. E há coisas que, para além disso, aumentam o nosso ser. Esta, nem sei bem porque razão (talvez pela simplicidade) foi uma delas.


Sílvia Gonçalves

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

É tudo uma questão de mãos

Em todos os segundos passados uso as mãos. Uso as mãos para sentir, uso as mãos para tocar, uso as mãos para acariciar.
Todos os momentos marcantes da nossa vida envolvem mãos. Não que as outras partes do nosso corpo não sejam relevantes. Todas elas têm a dura função de nos proporcionar vida. Mas as mãos…
Todas as emoções que sentimos recaem sob elas e através delas se transmitem. As mesmas mãos que servem para acariciar servem também para ferir.
Costumo olhar para as mãos como quem olha para uma montanha. À primeira vista tão difícil de alcançar como as mãos de quem muito desejamos e depois podemos escalá-la com a simplicidade de um lagarto. Assim como, dotados de humildade e amor, alcançamos as mãos da pessoa mais ausente que temos na nossa vida. Ausente até esse momento.
Para mim, o acto tão banal de dar as mãos continua a ser o mais verdadeiro e sublime de todos. Mais belo que o próprio beijo ou que o abraço.
Ao terminar a guerra apertam-se as mãos. Mãos…símbolo de paz!
Até numa discussão de pessoas que se gostam muito as mãos não param de se acariciar mutuamente. A minha mão na tua e a tua mão na minha. Mesmo sem notarmos, elas enlaçam-se tão meigamente. São mais verdadeiras que nós. E existe imagem mais bela do que essa? Duas partes indispensáveis de corpos diferentes formando uma parte só.
Dedo a dedo as mãos unem-se e dominam a saudade, a tristeza a solidão. Dedo a dedo as mãos dominam o mundo.
As coisas belas da vida passam pelas nossas mãos e é com elas que as saboreamos.

Sílvia Gonçalves

sábado, 8 de agosto de 2009

Amo-te de longe, ou talvez só goste de ti



Estás aqui. Mas não sabes que estás. Por uma única razão: nunca to disse. Nunca fui capaz disso. Receio que não esteja em ti da mesma forma que estás em mim. Receio abusar disso. Mas estás. Por momentos, certamente já o sentiste.
Tantas vezes te imagino. Soubeste ser especial. És meu bem e meu mal.
É custoso viver assim. Não nego. Mas é bom ter-te, seja de que modo for. E o modo que escolhes-te para mim é um modo bom.
Pertencemos a circunstâncias diferentes. Para mim, isso não é desculpa. A desculpa não existe. Assumo não ter coragem. Mas estou bem assim.
Serás sempre uma pessoa importante. Não é possível quantificar o que sinto por ti, o meu enorme orgulho em tudo que és.
Pessoa quase perfeita. É isso que és para mim.
Estás perto, estás ausente. Já me habituei.
As palavras que um dia me disseste valem esse momento e o agora. Valerão sempre.
Tratas-me de modo diferente. Só ainda não descobri se isso é bom ou mau. O simples facto de ser acalenta as minhas noites vazias. Reformulo: noites de imaginação em que soubeste ser especial.
Aguardo o futuro. Por enquanto é só.

Sílvia Gonçalves

quarta-feira, 5 de agosto de 2009


Sou como uma rosa negra,
Só, perdida e destroçada
Que é feita de espinhos e seda
De tristeza e de mágoa.

Não tenho jardim onde morar
Vivo à deriva do tempo
Sem alimento, estou a secar
Por fora e por dentro.

Cada pétala uma desilusão
Cada espinho um castigo
Árido é o meu coração
E sangra, ferido…

Quem me dera poder ser
Cascata numa floresta
Com água sempre a correr
Purificando o mundo que não presta.

Apenas as raízes me agarram
Não tenho vida nem cor
E os raios de sol amargam
Perdi tudo, não tenho amor.

Anseio uma tempestade
Que me arraste para os confins do Universo
Onde não impere o mal nem falsidade
e onde volte a florescer, suavemente, verso a verso.

Sílvia Gonçalves

A minha fé é real


Religião sem fundamento.
Tecto por abrigar.
Pássaro livre e sedento,
Rodopiando pelo ar.

Conventos fechados
Sobre a fé do momento,
Disfarçando pecados
E os males do pensamento.

Hipocrisia sem findar.
Desculpas que cegam
Quem julga acreditar
Nas escrituras que se elevam.

Cruzes fictícias
E chagas de mentira
Que enganam as perícias
E as dores de uma ferida.

Sinos que ao tocar
Propagam mortes e horror,
Que fazem o povo gritar,
Aclamando o Senhor.

O meu Deus não faz magia
O que quero, tenho de lutar
Para o obter, um dia.
Não me chega de um altar.

Sílvia Gonçalves

UM DESAFIO

Só o gato o entendia.
Ali, sentado, contava os dias até voltar para casa. Não gostava daquele lugar. Fora obrigado a mudar-se, com os tios, sem saber bem porquê. “É só por algum tempo Zezinho”-diziam.
Na realidade, é difícil explicar a uma criança de cinco anos, versátil como ele, que o pai estava a morrer, vítima de cancro. Era difícil dizer que ele não podia estar junto do pai durante algum tempo até a doença estabilizar ou……….a vida do seu pai ter um término.
Zezinho não entendia. Sabia que algo não estava dentro da normalidade.
Ali, com o gatito cinzento no colo, olhava pela janela aquela que julgava ser a direcção da sua casa.

ESTA HISTÓRIA NÃO ESTÁ CONCLUIDA! (como deves ter reparado)
LANÇO AQUI UM DESAFIO: algum blog continuar a história, sem a terminar, passando-a a outro blog e assim sucessivamente.
Vamos usar este mundo virtual para cruzar a imaginação de muitos com a originalidade de alguns :)
Quem quiser ser o primeiro a continuar esta história deve deixar um comentário nesta postagem, advertindo da sua intenção a fim de que não continuem com a história mais do que uma pessoa, em simultâneo.
Bjs, fico à espera que gostem de desafios :)
Imaginar é ir mais além, sem sair do lugar!

Se eu me perdesse no deserto? Juro que não sei o que faria. Talvez caminhasse até perder as forças.
Quantas vezes as nossas vidas são desertos: vazias e secas.
Talvez escrevesse: HELP ME na areia, em letras tão grandes quanto o meu desespero, na certeza de que algum ser aéreo (talvez um avião) conseguisse ler o meu pedido. Pedido que duraria apenas os poucos minutos em que o vento não se lembraria de arrastar a areia.
Talvez emitisse sons na esperança de que alguém me ouvisse, quem sabe um animal. Mas por pouco tempo, não podia perder as forças.
Se eu me perdesse no deserto, apesar da esperança da qual o meu corpo é composto, tenho a convicção de que morreria. E tu? Que farias se te perdesses no deserto?

Sílvia Gonçalves

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Tela





Relembro muitos traços
Que a névoa tenta ocultar,
Lançando espelhos baços
E ruídos de assustar.

Existem escadas que conduzem
Onde nunca quero estar
E candeeiros que reluzem
O brilho do teu olhar.

De olhos fechados
Alcanço-te melhor.
Vislumbro os momentos passados.
Momentos de eterna luz, eterna dor.

É uma vida pintada a pincel
Esta que sozinha percorro,
Formando a tela mais fiel
De todas as vidas de entre o povo.

Sílvia Gonçalves

domingo, 2 de agosto de 2009

Partes de mim

A pele uso para sentir.
O corpo é o meu engenho,
Ao qual recorro para transmitir
Todas as sensações que tenho.

Meus olhos são amoras
Que teimo em cultivar,
Por entre ânsias e demoras,
Sem nunca cegar.

Ao meu suor
Os meus poros não se opõem,
Transpirando também o amor
Que os meus ventrículos compõem.

Tenho unhas de ilusão
E mãos de recados.
Construo o meu coração
Com tijolos de pecados.

Fios de ceda
Nascem em mim
Como erva na alameda
Num dia de frenesim.

Sou partes oblíquas
Que forçadas, se conjugam
Como máquinas agrícolas
Que a terra perturbam.

Sílvia Gonçalves

sábado, 1 de agosto de 2009

Almas <<------>> Corpos

As almas
Compõem rituais,
À noite,
Sob a luz da lua.

Dançam baladas.
Habitam corpos especiais.
Encarnam a escuridão.
Elevam-se nuas.

Os corpos
São prisões cercadas,
Redes de emoções,
Páginas caligrafadas.

Tocam melodias
Tentando evoluir.
São partes imaturas,
Pedaços por sucumbir.

Sílvia Gonçalves


Viva o Verão!


Momentos agradáveis,
Enlaçados na água do mar,
Alheios à areia fina.
Momentos quentes,
Momentos molhados.
Sorrisos que cercam
Os acontecimentos normais.
Vozes misturadas
Como bolas de bilhar.
Amizades saudáveis
Pairam pelo ar.
Nuvens em baixo e em cima
Dos beijos calmos e ardentes.
Namorados enrolados
Que já nem pecam,
São actos banais.
Toalhas molhadas
Teimam em reinar.

Sílvia Gonçalves


Tempo para reflectir


Durante estes 18 anos da minha existência que tenho sido alvo de muita inveja, falsidade e traição, de modo a que me era dificil encarar determinadas pessoas, em certas situações. Até que um dia, um amigo me mandou uma sms enorme a explicar como eu deveria proceder nessas alturas. Aconselhou-me a imaginar que eu estava dentro de uma bola com uma trasnparênsia peculiar. Essa bola permitia-me ver para fora mas impedia que os outros ( as pessoas que eu queria evitar) me vissem dentro dela. Devo dizer que resultou!
Hoje, com mais maturidade ainda em cima e uma quanta dose de experiência, já não recorro a essa bola que me engolia mas protegia. Agora simplesmente passo por quem quer que seja e destribuo sorrisos. Os que os captam são dignos de toda a minha seriedade e respeito, os que os ignoram são dignos do meu desprezo. Chorar por essas "pessoas"?Nunca mais!
Porque só merece gostar de mim quem tiver dentro de si virtudes para isso.
Por isso, um conselho que vale para toda a vida: quem não gostar de vocês só vos está a ajudar a crescer e a construir uma muralha indestrutivel de coragem e ousadia. O mundo avança com o bem de uns e fortalece-se com o mal de outros.
Sílvia Gonçalves

Cansada da minha carcaça (gostava de vestir outra pele)

Como eu gostava
De ser sobrenatural.
A humanidade limita-me.
Gostava de não ter barreiras,
De poder voar,
De passar entre o fogo.
Gostava de morrer
E acordar quando quisesse.
A humanidade limita-me.
Gostava que tudo
Fosse acaso.
E acontecesse
O inesperado.
Gostava de atingir o inimaginável,
De chegar ao impossível.
Adorava ser uma criatura
Diferente e livre.
A humanidade limita-me.
Amava tocar todas as sinfonias
Num piano quebrado.
Eu só queria ser um monstro belo,
Um mostro com sentimentos.
Ter asas e velocidade.
Eu queria não pertencer aqui,
Queria ser doutra galáxia.
Mas…
A HUMANIDADE LIMITA-ME.

Sílvia Gonçalves

Morre lentamente…


…quem não sabe amar,
Quem foge dos perigos,
Quem cai na rotina,
Quem teme arriscar,
Quem nunca anda à chuva,
Quem não segue a emoção,
Quem planeia toda a vida,
Quem nunca salta o portão,
Quem não sabe abraçar,
Quem desaprendeu a sorrir,
Quem nunca pisa o risco,
Quem vive a dormir,
Quem se protege de tudo,
Quem não anda descalço,
Quem não se lança ao mar,
Quem não percorre o mundo,
Quem só fala com quem conhece,
Quem não se lança num amor proibido,
Quem nunca abusa do que gosta,
Quem nunca faz alarido.

Morre lentamente
Quem não sabe durar,
Quem teme ser diferente
E se recusa a amar.


Sílvia Gonçalves

Alta tensão


Barulho ensurdecedor,
Faíscas que caem.
Paredes de horror,
Fantasmas que saem.
Vidros partidos,
Véus rasgados.
Sonhos feridos,
Momentos apagados.
Alta tensão,
Que aumenta
O bater do coração.
Arde o sabor a menta.
Prendem-me o corpo
Com cadeados de aço.
Corpo vivo, corpo morto.
Corpo sem braços.
Momentos cristalizados
Com o sémen da vida.
Olhos abertos, olhos fechados.
Estanca-me a ferida.
Rumo desajeitado,
Este que me cerca
Para todo o lado,
Onde a essência peca.

Sílvia Gonçalves

Feiticeiro

Foste, és e serás
Um feiticeiro
Que engana, trai
E prende
O dia inteiro.

Olhos falsos,
Cabelo enganador
Que enlaça o vento,
Rasga a brisa
E reparte dor.

És tentativa forçada
De apagar o passado.
És a chama embaciada,
A janela fechada,
O cálice derramado.

Sílvia Gonçalves


Ideal de beleza? Para quê?

Não existem seres iguais,
Tirando excepções diminutas.
Então, não fazem sentido os ideais
Que nos conduzem a disputas.

Todos somos belos, simplesmente.
Não há como saber quem o é mais.
Isso seria apelidar alguém de diferente,
Fugindo das regras normais.

Olhos verdes, azuis, castanhos
Que diferença faz?
Para quê cuidados tamanhos?
O essencial é usufruir de paz.

Rugas ou pele lisa.
A pele é para sentir
Mesmo a melodia imprecisa
De quem já não sabe ouvir.

A beleza é relativa
Eu posso gostar de quem não gostas.
Achar uma pessoa atractiva
Mesmo apenas vendo-a de costas.

Não fazem sentido algum
As exclusões.
Adão era só um,
Logo não sofreu comparações.

Eva amou-o desde logo.
Mas e se houvessem mais?
Escolheria Adão de entre o povo
Ou render-se-ia às comparações fatais?
Eva e Adão,
Histórias sem certeza.
Mas o que importa é o coração
E não a suposta beleza.

Sílvia Gonçalves

Há momentos em que me apetece escrever aos fragmentos…

Es tou dis tan te,
Alhe ia a tu do
Co mo um vi a jan te,
Em ro ta pe lo mun do.

Sou pe da ços un i dos
Com von ta de i ne ren te,
Que fo ge dos pe ri gos
Nu ma lu ta cres cen te.

Há alturas, nesta caminhada denominada vida, que só escrevendo de acordo com o nosso estado de espírito é que as palavras se espraiam e conseguimos comunicar. Portanto, hoje, sinto-me fragmentada. Não fragmentada como uma estrela-do-mar mas fragmentada como um pedaço de papel que se rasga sem notar. Da estrela, resta-me apenas algum brilho que faço questão de preservar. Há momentos assim…

Sílvia Gonçalves


segunda-feira, 20 de julho de 2009

Tempestade em nós



Há dias em que apenas chove no meu mundo...Chovem saudades, chovem intrigas, chovem conflitos, chovem tristezas...

Tudo o que faço é abrir o guarda-chuva dos sorrisos e mostrá-lo ao mundo. Porque, quando chove em nós mesmos, mesmo ao nosso lado pode estar o sol mais brilhante do mundo.

Não se deixem molhar!

Sílvia Gonçalves

Identidade




Hoje mudei de nome.
Chamo-me apatia
Porque a alma me consome,
Seja noite seja dia.

A vida para mim mudou.
Já não sou quem era.
Agora eu sou
A apatia que cega.

Este letargo,
Que em mim se exalta
Mergulha-me num lago
De maré baixa e maré alta.

Já não sou uniforme.
Agora, vou sendo.
Mudei de nome.
Vou renascendo.

Sílvia Gonçalves

Fusão


Há dias em que me apetece
Fundir com a Natureza.
Ser uma montanha agreste,
Ser o mar azul-turquesa.

Fazer do meu coração
A vida de um planalto.
Ser a lava de um vulcão,
Ser raiz presa no asfalto.

Fazer das minhas veias
As veias da terra.
Ser parte das teias
De uma aranha negra.

Há dias em que me apetece
Mudar de temperamento.
Evocar uma prece
E soltar o cabelo ao vento.

Sílvia Gonçalves

domingo, 19 de julho de 2009


Se eu fosse uma flor?
Soltava as pétalas ao vento
E guardava todo o calor
Para dormir ao relento.

Se eu fosse mar?
Desprendia-me dos rochedos
Para poder respirar,
Libertando todos os medos.

Se eu fosse horizonte?
Guardaria todos os navios
E seria a fonte
De tesouros perdidos.

Se eu fosse bola de sabão?
Preferia ser palhaço
Para te tocar o coração
E te dar mais um abraço.

Se eu fosse imortal?
Cansar-me-ia da vida
Porque viver uma vez é normal
Mas mais que isso já é teimosia.

Sílvia Gonçalves

sábado, 18 de julho de 2009

Para o blog "Pedaços de qualquer coisa"


Em agradecimento ao selo que me ofereceste e por visitares assiduamente este meu cantinho, tenho este diploma para ti :)
Bjinho

O fim do princípio



Todos nós somos
Animais.
Então porque nos impomos?
Por sermos racionais?

Destruímos o mundo
Com a ciência e a tecnologia
Mesmo sabendo, lá no fundo,
Que tudo isto é excesso de ousadia.

Criam-se curas para salvar
E curas para abater.
Quando é que a humanidade vai notar
Que o planeta está a morrer?

Agimos no hoje,
Esquecendo o amanhã.
É um egoísmo que vem de longe
E jamais terminará.

Não vos faz pena
Matar os animais?
Não é isto um problema?
Seres tão únicos e leais.

Para espiar
Criou-se o GPS.
Depois, para relaxar
Inventa-se pastilhas anti-stress.

Que raiva que me causa
Este mundo artificial.
É uma raiva que não pausa
Envolta neste “paraíso” fatal.

Continuem a pensar no comodismo
E a guiar esta triste frota.
Eu até vou usar um eufemismo
Ao dizer que vamos todos bater a bota.

Mas o Homem não pensa assim.
Acha-se um Deus, um dominante.
E quando já só restar o fim
Não haverá ciência que se levante.

E, embora humana, digo
Que aí o Homem havia de sofrer.
Havia de perder o rumo e o sentido,
Pagando pelas vidas que deixou morrer.

Sílvia Gonçalves

sábado, 11 de julho de 2009

Carta desviada

Olá
Meu grande amor!
Escrevo-te para dizer
Múltiplas coisas que sinto.
O meu coração já está a aquecer,
Sabes que não minto
E só agora comecei a escrever.
Mas o que dizer por palavras?
Coisas que nem o coração
Consegue alcançar.
Não da para transmitir por quadras
Nem através das ondas do mar.
São sentimentos profundos,
Que quebram as defesas
Do vazio
E atravessam diversos mundos,
Perpassam fortalezas,
Nadam no rio.
Coisas que me tornam
Tão pequena.
Coisas que transbordam
Da minha alma serena.
Não cabes dentro de mim
E eu dentro de ti não estou
Como poderei viver assim?
Quando pequena já não sou.

Sílvia Gonçalves

Porque há coisas que nunca se esquecem...


Porque há coisas que o tempo não apaga, o vento não leva e o coração não esquece, é chegado o momento de postar algo dedicado a uma grande amiga e prima! Espero, com isto, retribuir o teu acróstico :)
Para quem não a conhece, este poema será exclusivamente dedicado a uma prima muito especial que começava as cartas de infância deste modo: “já sei, a carta é enorme. Bem, só espero que quando acabares de ler ainda te lembres do início.” ou então assim: “ esta carta é um bocado meia toda ridícula mas é a minha mais melhor boa preferida.”
Parece estranha? Isto ainda não é nada :)
Mas o certo é que são as pessoas invulgares que mais relembramos…

Danni, o meu poema para ti aqui vai:

Era uma vez:
Duas crianças
Que, contando até três,
Desembrulhavam esperanças.

Tinham no seu ser
Uma alegria sem fim.
Apenas queriam viver
Como flores de um jardim.

Brincadeiras, travessuras…
Sempre unidas,
Vivendo aventuras
Desmedidas.

Desde as anedotas,
Passando pelas partidas
Ocultas atrás de portas
Ou de roupas escondidas.

Livres, soltas, sonhadoras,
O mundo era o nosso lar.
Sem leis, espaços nem horas
Era sempre tempo de brincar!

Sílvia Gonçalves

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Pensamentos vãos



E se eu caísse do céu,
Ao tropeçar num astro
E aterrasse num ilhéu
Ou no cimo de um mastro?

E se perdesse a identidade
E tudo o que daí pode advir,
Pela força da gravidade,
Uma vez que estava a cair?

E se eu ganhasse asas
No momento da queda?
E pousasse em casas
Feitas de pedra?

E se eu parasse de sonhar,
Acordando para a realidade?
Certamente iria constatar
Que ganhar asas e voar
Não é próprio da humanidade.

Sílvia Gonçalves

Amar

Este poema foi escrito há uns aninhos atrás...como tal, está repleto de sentimentos que já não sinto...é interessante ver como estes estão em constante mutação...o que senti ontem não é o que hoje sinto e será diferente do que vou sentir amanhã....

Amar é ter um jardim
E querer apenas uma flor.
Amar é o que és para mim
E assim se vive o amor.

Temos todo o mundo
Mas falta sempre alguém,
Que nos acalme e abrace
E que nos ame também.

Amar é sentir, de repente
Essa tua pele quente.
É sentir falta,
É chorar.
É subir uma montanha
Só pelo prazer de a escalar.

És um oceano
Liberto do mar,
Que de mim está perto
Mesmo se estando a afastar.

Por entre noites
Solitárias,
Angustiantes,
Sinto sempre uma presença,
Uma alma que se esconde.
Amar é quem pensa
Levantar-se sempre,
Ainda que tombe.

Nos caminhos vazios do infinito
Por vezes, solta-se o grito
Que nos diz o que realmente é amar.
E os sentimentos desprendem-se, a flutuar.

E como a ínfima migalha de pão
Tem o seu valor,
Tu vales para o meu coração
E assim se vive o amor.

Sílvia Gonçalves

segunda-feira, 6 de julho de 2009

(Vi)ver-te


Foi bom viajar contigo,
Conhecer um pouco mais
Do teu mundo.
Estar ao teu abrigo,
Deixar os dias banais
E tocar no teu fundo.

É indescritível a tua presença
E tudo o resto que me cativa,
De um modo especial.
Não sei se é elogio ou ofensa
Por ti dar a vida,
Se sou uma simples mortal.


Sílvia Gonçalves

Amar-me-ás sem saber?


Pegas-me a mão
Sem querer.
O que te move é o instinto,
Ou talvez o coração.
Começo a tremer…
Fazes-me carícias
Mesmo sem notar.
O que te move é o prazer,
Ou talvez esse doce olhar.
Fazes-me estremecer…
Lanças-me palavras ,
Que tocam suavemente,
As minhas mãos suadas
E todo o ar envolvente…

Sílvia Gonçalves

...



Começa a bater leve,
Essa musica que me faz
RECORDAR-TE!
Sinto o teu sorriso,
O brilho da tua voz,
Os gestos que me prendem.
És felicidade breve,
Mundo alado que me traz
Para o AMAR-TE!
Faço o que é preciso
Para haver o “nós”.
Os carinhos rendem.

Sílvia Gonçalves

domingo, 5 de julho de 2009

Tu e a noite


A noite saiu à rua,
Num dia especial,
Em que a tua amargura
Que, normalmente, perdura
Se tornou fatal.

Ela vestiu-se de negro
De uma forma ocasional,
Livre no seu enredo,
Ela saiu, sem medo
E tu, com esse ar fatal.

Parecias mais sombrio
Que ela.
Envolto nessa amargura,
Caíste do poderio.
O calor passou a frio
E acendeste uma vela.

Sílvia Gonçalves

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Deturpando a realidade


A longevidade
É possível de aproximar,
Subornando-se a realidade
Com uma quantia exuberante,
Semelhante à água do mar,
Que é o chão do navegante.

O infinito
É possível contabilizar,
Subornando-se a realidade
Com uma quantia incalculável,
Semelhante ao amor de um lar,
Que é a base de uma sociedade aceitável.

O passar do tempo
É possível fazer parar,
Subornando-se a realidade
Com uma quantia desmedida,
Semelhante ao oxigénio do ar,
Que é essencial à vida.

A realidade
É possível falsificar,
Subornando-se a razão
Com uma quantia inatingível,
Que provém do coração
E evoca um som audível,
Na hora da negociação.

Sílvia Gonçalves

A matéria da vida


Viemos ao mundo
Sem uma lição estudada,
Com um desconhecimento profundo
E um caderno de nada.

Possuíamos existência, apenas.
Não tínhamos manual de instruções,
O que nos causava dilemas,
Sem aparentes soluções.

Gradualmente, fomos concebendo
Um saber algo abrangente.
O passado íamos retendo
Em função do presente.

Cada experiência,
Uma página caligrafada.
E, através da convivência,
Íamos enchendo o caderno do nada.

Num comportamento terno
E sem exagerado aparato,
Descobrimos que este caderno
Era o nosso auto - retrato.

Era um caderno normal
Cuja capa não era forte.
E quando chegou ao final
Metaforizou a morte.

Sílvia Gonçalves

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Sentimento


Esse teu olhar

Envolve todo o meu ser.

A tua essência é pura,

Faz-me adormecer

E sonhar

Num mundo que perdura,

Que não faz doer.

Os teus gestos

São folhas ao vento.

E os teus afectos,

Livres e breves,

São naturais e incertos,

São flocos de neve.

Não poder envolver-me

Na tua galáxia perdida

Não acalenta o meu coração.

Mas sei que me sentes

Quando me estendes a mão,

Quando me fechas uma ferida.

Certamente que és

Uma nuvem do céu.

E eu serei para sempre

Um anjo teu.

Com as minhas asas,

Elevar-te-ei ao infinito.

Com a tua suavidade,

Irás desprender-me o grito:

AMO-TE

Sílvia Gonçalves



sexta-feira, 19 de junho de 2009

Paisagem imaginada



Era uma paisagem sublime
Feita de sombras e vultos
Onde a dor oprime
E existem segredos ocultos.

Possuía uma lagoa
E uma névoa cinzenta.
Onde a dor magoa
E a paz não entra.

Tinha apenas um habitante
Que vivia solitário,
Com uma dor ofegante
E aspecto centenário.

Era um lugar singular
Que não existia realmente
Mas que ousei imaginar
Com a força da minha mente.

Sílvia Gonçalves

quinta-feira, 18 de junho de 2009

As crianças



Olham páginas em branco

E avistam cor.

Refugiam-se de baixo de um manto

De carinho e de amor.

Deslocam-se em bicos de pés

Quando querem uma carícia

E lutam contra ventos e marés,

Lealmente, sem malícia.

Pintam paredes de sonhos

Com a tinta da imaginação.

Possuem corações medonhos

Mas que cabem numa mão.

São a alma do futuro

Vindas de um passado recente.

Ainda não têm um espírito maduro.

Mas o alcançarão, calmamente.

Percorrem caminhos de descoberta

Sem os pedirem a ninguém.

E, porque a vida não é certa,

Por vezes, tratam-nas com desdém.

Ainda muito haveria para contar

Sobre os caminhantes desta faixa etária.

Mas, tal como eles, vou brincar

E pousar a caneta na secretária.

Sílvia Gonçalves


sábado, 13 de junho de 2009

Eu,só eu


Hoje vou escrever uma poesia
Que não rima nem versa.
E se, por acaso, rimar e versar
Será isso mesmo, obra do acaso.
Hoje, aqui e agora,
Neste preciso momento,
Reflicto um pouco do que sou.
Sou ave, ferro e fogo.
Sou a alegria de um olhar.
Sou pedra, sede, lume.
Caminho sem me guiar.
Eu simplesmente avanço.
Não dou passos de criança.
Não piso o chão dos adultos.
Eu sou eu.
Eu mesma!

Sílvia Gonçalves

terça-feira, 9 de junho de 2009

12ºC



A vida juntou-nos, simplesmente.

Quis que, juntos, formássemos um só.

Fê-lo sem uma razão aparente,

Como se fossemos peças de um dominó.


Ela jogou com cada um de nós

De forma a nos enquadrar,

Num mundo de silêncio e de voz,

Que nunca se iria quebrar.


Silêncios mudos

E vozes expressivas.

Fomos alunos

Das nossas próprias vidas.


Sorrisos nos lábios

E um brilho no olhar,

Fomos ignorantes, fomos sábios

Aprendizes do amar.


Uma vez unidos,

Sempre assim nos mantivemos.

E os momentos vividos

Jamais esqueceremos.


Juntos, fomos terra.

Juntos, fomos mar.

Fomos a alegria que se eleva

Quando o destino quer chorar.


E é assim que vos recordo:

Gente alegre e amiga

Que mesmo já não estando a bordo,

Estarão sempre na minha vida.

Sílvia Gonçalves


sexta-feira, 15 de maio de 2009

nuvem, pássaro, lua...

Uma nuvem passou,
Ao de leve
Sobre a lua.
E um canto de pássaro
Ecoou,
Canto livre e breve
Como essa alma que é tua.

A nuvem seguiu em frente,
Deslizando com o vento.
Vento forte e frio.
E o pássaro calou
De repente,
Calou por um momento.
Pássaro selvagem e luzidio.


A nuvem desapareceu
No mar.
Mar salgado.
Noite amena.
O teu corpo bebeu,
Ao respirar,
O meu suor derramado.
E o pássaro solta uma pena.

Sílvia Gonçalves

Efemeridade

A vida tem um fim
Que vem ao acaso,
Como uma flor de jasmim
Seca num vaso.

A vida abandona
Quem quer viver
E eu não sou dona
Do que quero ter.

Tudo se evapora
Num simples momento.
Por isso, o que fazemos agora
É apenas passar tempo.

Sílvia Gonçalves

sábado, 2 de maio de 2009

The end (como nos filmes)

Ainda bem que não permiti
Que tatuasses meu nome.
Se tudo teria um fim,
Foi melhor assim.

Ainda bem que não chorei
Noites a fio por pensar
Que te iria perder,
Se tinha de acontecer.

O que ficou
É um doce recordar
Tudo o resto, o vento levou
Sabe-se lá para que lugar.

Sílvia Gonçalves

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Olhares esquecidos


Ia descendo a rua
Numa noite sem lua,
Onde a escuridão
Me queria dar a mão.

Estremeci…
E foi quando vi
Um cão que me olhava,
Enquanto passava.

Olhar terno.
Olhar sereno.
Que nem se moveu
A nenhum movimento meu.

O meu medo foi em vão
Perante tão dócil cão.
Tive vontade de lhe sorrir,
De saber o que estava a sentir.

E houve um momento,
Em que senti cá dentro
Que o consegui entender,
Apesar de a outra espécie pertencer.

Fui-me afastando
E ele sempre olhando.
Mas mais nada tinha para lhe dar
A não ser um último olhar.


E aquele animal,
Com carácter tão especial,
Fez-me reflectir
No mal que está para vir.

Quantos olhares ignoramos?
Nem sequer nos importamos…
E o futuro somos nós?
Que deixamos olhares sós…


Sílvia Gonçalves

Foi no dia 25 de Abril (centenário da Banda Musical de Fornos)


Foi um dia memorável,
Como há muito não acontece,
Especial e inigualável.
Dia de relembrar,
Dia de luz,
Dia de prece.


Todos unidos a cantar
Por aqueles que já não temos.
E uma pena eleva-se no ar,
Lembrando os tempos efémeros.

Sobe,
Sobe lentamente,
Parece que vai embalada
Pela canção dolente,
Cantada pela rapaziada.

É bom evocar
Todos aqueles que partiram.
Isso ajuda-nos a mudar,
A perseverar o que construíram.

A pena deixou de se avistar.
O vento soprou…
As pessoas movem-se de lugar.
E a canção terminou…

Sílvia Gonçalves

Amores proibidos


Existem beijos e abraços,
Coisas únicas e especiais
Que diluem os cansaços,
Que categorizam os casais.

Juntos olham as estrelas.
Juntos correm pelo mar.
Juntos fazem coisas belas.
Juntos!...aprendem a amar.

Suspiros, ternuras, risos
Corações a bater forte.
São sentimentos imprecisos
Que nos conferem paz e sorte.

Juntos na dor.
Juntos na alegria.
Juntos no amor.
Juntos!... noite e dia.

São partes iguais
Enlaçando-se meigamente.
São casais
Que se amam realmente.

Eis que termina a magia…
E pergunto:
Para onde foram
Os amores que foram, um dia?

Sílvia Gonçalves

terça-feira, 14 de abril de 2009

Sensualidade


Há sensualidade,
Em cada gesto que esboças.
Por cada sorriso teu,
Fica magia no ar.
Tenho em mim vontade,
Tenho em mim forças,
Para desprender o véu
E começar a amar.

Sílvia Gonçalves

domingo, 12 de abril de 2009

Noite de amor


Soltam-se palavras,
Ficam beijos e abraços,
Roupas rasgadas,
É o último dos passos.
Frio na barriga
E, depois, calor incessante.
Esta é a dura fadiga
De todo o amante.
Os gritos abafam
O ruído da vida,
E os corpos se abraçam,
Na hora da despedida.

Sílvia Gonçalves