quarta-feira, 4 de março de 2009

Saudade


Eram tão bons os tempos
Em que fazia bolos de terra,
Repleta de pensamentos
Que se misturavam com a erva.

Eram simples os momentos
Em que me deitava sobre as flores,
Vislumbrando os acontecimentos
Que eram acompanhados de odores.

Eram felizes os instantes
Em que molhava os pés
Em águas límpidas, brilhantes
Sem marinheiros ou marés.

Era lindo construir cabanas
Onde vivia alegremente,
Sem males ou artimanhas.
Era bom ser inocente!


Sílvia Gonçalves

sábado, 21 de fevereiro de 2009

Amor imaginário


Veio lentamente,
Quase sem respirar,
Este amor ardente
Que teima em ficar.
É um amor irreal
Que veio com o vento,
Através dum areal
De paz e de alento.
Para sempre irá ficar
Esta pérola de magia
Que já não habita no mar
Mas vive connosco, dia a dia.
Bastaria um momento,
Para sempre lembrar
Este sentimento,
Que me faz sonhar.

Sílvia Gonçalves

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

A dor me ser


Apesar de a dor me ser
Difícil de suportar,
Não fecho os olhos.
Quero ver,
Acordada permanecer
E não mais sonhar.

Sílvia Gonçalves

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Farol


Cavalgo ao ritmo do vento,
Rodeada de raios de sol.
E com um olhar atento,
Avisto um farol.

Que me dirás tu,
Farol incandescente?
Teimas em brilhar,
De modo inconsciente.
Toma cuidado,
Não vás tu apagar.

Quem te alcança
Vem do céu ou do mar.
Mas eu alcancei-te
A cavalgar.

Venho de longe.
Não tenho para onde ir.
A montanha é agreste,
Custa-me subir.

Começa a anoitecer
E eu sem cumprir meu caminho.
Obrigada por me fazeres ver
O rumo do meu destino.

Sem ti, restam-me as estrelas.
Sem elas, restas-me tu.
Sem nada, resta-me tudo.
Farol, pões as dúvidas a nu.

Sílvia Gonçalves

domingo, 1 de fevereiro de 2009


Mexi o corpo
Ao som de uma sinfonia.
Tracei um risco torto,
Porque a mão tremia.

Simulei uma fantasia
Repleta de turbulência,
Na qual eu me desfazia
Em virtude da tua ausência.

Procurei luzes no céu
Para acalmar meu pensamento.
Envolvi-me num véu
Que deslizou, com o vento.

Procurei passar as sensações para o papel
Para permanecer leve e liberta do mal,
Aprisionando a dor infiel,
Através do ponto final.

Sílvia Gonçalves

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

sábado, 17 de janeiro de 2009

Telhados de vidro


Desde o dia em que nasci
Que muitas coisas
Não me pareciam leais.
Inicialmente, nem as compreendi.
Depois, tornaram-se mais reais.
Eram coisas que amargavam,
Ou que não tinham sabor algum.
Descobri pessoas que enganavam,
Outras que maltratavam
E as que feriam todos, um a um.
Comecei a crescer
E depressa constatei
Que ninguém me iria oferecer
Tudo o que já dei.
Cheguei à triste conclusão,
Que nem todos se parecem comigo.
Existem os que têm bom coração
Mas também os que apenas têm,
Um telhado de vidro.

Sílvia Gonçalves

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009



Solto os cabelos ao vento,
Dou passos suaves.
Desfruto o momento,
Elimino os entraves.

Enlaço-me com a noite escura
Sem ter refúgio visível.
A força perdura
Neste coração sensível.

Fecho os olhos lentamente,
Respiro o ar envolvente.
Possuo uma alma ausente,
Dispersa e divergente.

Sílvia Gonçalves


sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Renascer


Hoje será, talvez,
O primeiro dia de felicidade,
Desde o sucedido
Que me roubou a serenidade
E me deixou o coração ferido.

A respiração já não sufoca
E a força está a chegar.
Sou como um animal na toca,
Que, selvagem, ama o vento e o ar.

Sílvia Gonçalves

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Sorri,
Aproveita o bom da vida
Enquanto não souberes que morri
Desta amargura, que causou ferida.

O passado não te importa.
Continua no presente.
Mesmo quando já estiver morta,
Sorrirás para sempre.

A força que busco,
Só eu sei onde buscar.
E os lugares que ofusco,
Só eu sei fazer brilhar.

Coração que bate agora
Em função das artérias e veias,
Já bateste hora a hora
Em função de paixões alheias.

Sílvia Gonçalves

sábado, 13 de dezembro de 2008

Dizem que quem luta por amor
É herói.
Mas e quem luta contra o que sente?
Quem ama em silêncio
Para não entrar na vida de alguém.
Para mim, esses sim são heróis,
Guerreiros de uma vida.
Também eu assim sou.
Necessito tocar-te e sentir-te
E nada faço para o conseguir.
Vivo aprisionada em memórias
E momentos,
Que se propagam no tempo.
Sinto o teu cheiro
Sem estares aqui.
Amar em silêncio dói.
Dói como ter asas e não poder voar,
Ou ter sonhos e não os poder realizar.
A minha vida és tu.
Não sei se já me esqueces-te ou não,
Se me apagas-te do teu coração.
Ou melhor, sei.
Sei que não o fizes-te
Porque se é verdade que o amor existe,
Ele está entre nós.
Na distância ou na união, quem impera
É o coração.
Sílvia Gonçalves

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008



Este é um momento
Em que me falta a tua presença.
Olho em redor e não estás.
Porquê?

A respiração aperta,
O corpo começa a tremer.
Queria parar de sofrer.

Sem ti sou uma sombra apenas.
Penso no teu sorriso,
Na tua forma de ser.
Queria parar de sofrer.

Tantos momentos felizes
Parados no tempo.
E o tempo presente
Começa a enevoar.
Só agora me dou conta,
Que não enevoou de verdade,
São apenas os meus olhos a chorar.
Sílvia Gonçalves

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Somos um



Somos um
Em corpo e alma.
Unidos numa só vida
Por isso, nada que façamos
Será uma despedida.
Habitamos o mesmo espaço,
Sentimos as mesmas sensações,
Num suspiro ou num abraço.
Se olhas uma flor
Quem vê as pétalas sou eu.
Se a brisa me tocar
Quem a sente és tu.
A minha mão na tua
Forma uma só mão.
O meu coração bate ao ritmo do teu.
Somos um,
Física e interiormente.
Quando me desloco,
És tu que me moves.
Quando procuras o sol
Sou eu que sinto frio.
Quando limpo uma lágrima
Foste tu que a deitaste.
Quando cais
É em mim que dói.
Sempre que sorrio,
Os lábios que se estendem
São os teus.
Quando sobre ti, incide a luz
Sou eu quem brilha.
Se nos olharmos ao espelho,
Apenas veremos a fusão
De um sentimento profundo,
Que prevalecerá para além do fim do mundo.
Onde há unanimidade
Jamais haverá solidão.
Sílvia Gonçalves


A saudade não mata
Mas devora.
Vou andando à deriva
Pela vida fora.

O vento não gela
Mas arrefece.
Vou olhando em frente,
Tudo o que acontece.

O murmúrio da chuva
Não incomoda, faz adormecer.
Vou vivendo na esperança
De feliz vir a ser.

O que escrevo ou imagino
Pode ou não acontecer.
Mas é a instabilidade da vida
Que nos permite sobreviver.
Sílvia Gonçalves

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Lágrimas


Cai uma, caiem duas, três…
Um mar infinito de lágrimas.
E cada uma traz mais um pouco de dor
Do que a anterior.
E a lágrima seguinte,
Traz mais dor do que esta.
E, se eu viver a chorar,
Já vivo a fazer algo.
Há quem nem chorar possa
E viva aprisionado na dor.
Eu, apesar de a sentir,
Torno-a mais leve, chorando.
E é deste modo
Que os meus dias vão passando.

Sílvia Gonçalves

São cinco e tal da manhã


São cinco e tal da manhã
E eu sem conseguir dormir.
Decidi abrir os olhos.
A noite, ou talvez, a manhã
Está no seu ponto máximo de frialdade.
Também assim está o meu coração,
Que, sem amor, arrefece.
Que raiva não conseguir dormir
E entrar num sono profundo
Que me fizesse esquecer o mundo.
Já que não sais do meu coração
Sai do meu pensamento.
Deixa-me sentir o passar das horas,
Sem significado.
Deixa-me sentir as sensações normais
Que toda a gente sente.
Oh, que súplicas insignificantes.
Nem sei porque as proferi
Se nasci para te amar
E morrerei sem te ter.

Sílvia Gonçalves