
Ficam beijos e abraços,
Roupas rasgadas,
É o último dos passos.
Frio na barriga
E, depois, calor incessante.
Esta é a dura fadiga
De todo o amante.
Os gritos abafam
O ruído da vida,
E os corpos se abraçam,
Na hora da despedida.
Sílvia Gonçalves


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Tens algo no olhar
Que reflecte quem sou
E sinto, ao respirar,
Que o amor soou.
Descontrolas meu coração
Que perde os ritmos compassados
Como um navio sem direcção,
Que procura tesouros espalhados.
Desenho os sorrisos
Que me fazes esboçar,
Por entre cabelos lisos
E pele a suar.
Nunca te senti perto,
Mas tuas palavras bastam
Para me levares do deserto,
Onde as areias se afastam.
Foi um sonho viver,
Gritar teu nome na tempestade,
Com a água a escorrer,
Limpando o pó e a saudade.
Sílvia Gonçalves






Dizem que quem luta por amor
É herói.
Mas e quem luta contra o que sente?
Quem ama em silêncio
Para não entrar na vida de alguém.
Para mim, esses sim são heróis,
Guerreiros de uma vida.
Também eu assim sou.
Necessito tocar-te e sentir-te
E nada faço para o conseguir.
Vivo aprisionada em memórias
E momentos,
Que se propagam no tempo.
Sinto o teu cheiro
Sem estares aqui.
Amar em silêncio dói.
Dói como ter asas e não poder voar,
Ou ter sonhos e não os poder realizar.
A minha vida és tu.
Não sei se já me esqueces-te ou não,
Se me apagas-te do teu coração.
Ou melhor, sei.
Sei que não o fizes-te
Porque se é verdade que o amor existe,
Ele está entre nós.
Na distância ou na união, quem impera
É o coração.
Sílvia Gonçalves


