sábado, 12 de setembro de 2009
Vamos lá imaginar...
quarta-feira, 9 de setembro de 2009
Nas asas do vento
Nas asas do vento,Tento alcançar
O mais puro sentimento,
Que se pode guardar.
Envolta em harmonia,
Tento descobrir
A mais bela sinfonia,
Que se pode ouvir.
Há momentos
Em que se é especial,
No seio de sentimentos,
Dispersos numa galáxia celestial.
Os teus gestos sei de cor.
Sabem a maresia.
Proporcionam-me dor.
Proporcionam-me alegria.
Fechas-me a porta sem nenhum pudor
E escondeste à janela.
Resguardas todo o teu amor
Para uma eterna Cinderela.
Sílvia Gonçalves
domingo, 6 de setembro de 2009
Livre como só eu posso ser

Sinto as batidas desta música,
À minha maneira!
Porque quem não me compreende
É melhor me abandonar.
Todas as mágoas que tive
Ficaram esquecidas na lareira,
Esperando uma chama
Para as queimar.
Sou diferente.
Que mal tem ser assim?
Há os que me acompanham
Com a força de um movimento.
Sou persistente.
Guardo dentro de mim
Pétalas suspensas no vento.
Não me assusta a solidão.
Adoro caminhar sozinha.
Sei de cor todos os passos.
E mesmo na escuridão
Faço da lua a minha
Acumulação de laços.
É bom sentir a vida
Como sinto.
Depositar-lhe a minha intensidade.
Avançar a página lida.
É bom ter alma e instinto
Para viver esta liberdade!
Sílvia Gonçalves
sábado, 5 de setembro de 2009
Trago-vos no peito

Não vou entrar em reflexões sobre a morte nem sobre a vida, nem sobre ambas. Seria entrar num ciclo de onde não me atreveria a sair.
Vou antes testemunhar aqui o que sinto por todos aqueles que amo. Porque amanhã pode ser tarde de mais. E eu não sei se existe mesmo outra vida. E também não sei se a morte é a porta para a vida eterna. Eu sou uma ignorante. Sou uma ignorante com sentimentos profundos que me fariam dar a vida por certas pessoas, apesar de todas estas dúvidas.
As pessoas por quem nutro o maior amor do mundo são, sem dúvida, os meus pais. É inexplicável transmitir o que por eles sinto.
Toda a restante família também tem um marco de extrema importância no meu coração.
Quanto aos amigos. São poucos mas os melhores de sempre. Pensar em tudo que já vivemos juntos é celebrar a verdadeira amizade.
Depois vêm todas aquelas pessoas que nem sabem que as trago no peito mas que faço questão de as trazer do mesmo modo: professores, vizinhos, idosos, crianças, incapacitados, pessoas que nem sei quem são mas de quem gosto... Porque há rostos que retenho por albergarem uma história comovente por trás.
E porque o amanhã é incerto achei por bem salientar que amo todos aqueles com os quais já contactei, embora de modos distintos.
Amanhã não sei mas hoje vivo por mim mas para todos vocês.
sexta-feira, 4 de setembro de 2009
Olhares deambulatórios

Existem várias aves a sobrevoá-lo, atravessando, assim, o teu olhar. Certamente nem as vês. Mesmo elas te invadindo os olhos. Porque o teu olhar está reflectido no céu apenas para mim.
Mal nascem os primeiros raios de sol, lá está ele. Que olhar tentador, místico, persistente. Dói olhá-lo por causa da intensidade da luz. Então, aguardo pacificamente a chegada da lua. Altura em que já não magoa olhar teus olhos. Eles brilham na escuridão.
Como os distingo de entre as estrelas? É simples. As estrelas são pequenas e os teus olhos ocupam todo o céu. Ocupam todo o céu que eu consigo alcançar. Porque, apesar do teu olhar estar por toda a parte, o meu é pequeno de mais para o abranger a todos os instantes.
Há dias em que o procuro e não encontro. Mas sei que está lá. Vejo as aves a contornarem-te o rosto.
É só por isto que as aves alteram as suas trajectórias. Para evitarem bater contra os olhares que no céu andam perdidos, à deriva.
Por isso, quando olharem o céu e vislumbrarem aves a voar em linha recta é porque vocês não estão a olhar com atenção e não vêem olhares perdidos.
Há dias em que o nevoeiro nos cega. Mas logo virá a luz do sol. E a seguir a da lua, que já não magoa.
Lençol branco

Faz lembrar a neve pura
Que cai no solo esquecido
De uma ladeira escura.
Só o vento o agita.
Ele não tem forças para isso.
O sol é quem o purifica,
Salientando o seu branco maciço.
É feito de fibra boa.
Tecido que vale a pena.
Só a noite o apazigua.
Assemelha-se à lua serena.
Nele podemos descobrir
Todos os sonhos que temos.
E, se necessário, esculpir
Estes versos que escrevemos.
Sílvia Gonçalves
Um último adeus

Trago o peito apertado.
É triste este fado.
Uma vida a menos.
Somos meros seres terrenos.
Que descanse eternamente.
Seja relembrado ao sol poente.
Já as memórias se agitam
em locais onde as almas gritam.
Seja feita a sua vontade.
Já paira no ar a saudade.
Somos pequenos demais
Para sermos imortais.
Que a viagem seja curta
Sem ser preciso haver luta.
Armas e armaduras de ferro forte
Não fazem frente à morte.
Descanse em paz…
Sílvia Gonçalves
quinta-feira, 3 de setembro de 2009
A fúria de um dia

Hoje estou tão revoltada
Que vou atirar as palavras ao papel.
Não me importa mais nada!
Que raiva tão dura e cruel.
Quero que as letras se agitem
Como agitada tenho a alma.
E que todos os astros coabitem
O espaço deste meu trauma.
Ai, se eu pudesse explodir!
Libertaria este furor.
Que inquietude estou a sentir.
Apertam-me paredes de horror.
Venham mil pratos
para partir.
Como se fossem retratos
Onde não estou a sorrir.
Há dias mesmo difíceis de lidar.
Dias em que o amanhã demora.
E em que só para contrariar
A tormenta não vai embora.
Mas existe um barco no escuro
Pronto para me guiar
Ao sitio onde o barulho
Provem das ondas do mar.
Sílvia Gonçalves
quarta-feira, 2 de setembro de 2009
Estou em ti. Mas tão ausente.

Tenho receio que sintas a minha presença que teimo apagar a cada passo em frente.
Por vezes, cruzas-te comigo mas não pareces saber que estou sempre colada a ti.
Eu simplesmente te respondo, não tenho força para mais. O não pesa mais que o sim.
Mas tu pareces saber tudo. Pareces sentir a sombra que me esboça.
Talvez finjas não a sentir. Se calhar o teu não também pesa mais que o teu sim.
Eu parei de voar. Se me desloco até ti é por vontade da brisa não minha.
Eu decidi desprender-me. Agora a brisa vem e apodera-se dos meus desejos.
A seguir será o vento? Um tufão? Um vendaval?
Quando é que irás esvair-te como areia fina?
Pega num castiçal e incendeia a minha sombra. Faz isso, só hoje.
Deixa-me viver um dia só meu. Liberta-me de ti mesmo sem saberes que me prendeste.
Só hoje.
terça-feira, 1 de setembro de 2009
Melodia do amor

Que deixo de ouvir
As palavras que queres
Que eu alcance a sorrir.
Então…
Aumentas a intensidade
Dessa tua melodia,
Que me faz ter vontade
De a ti chegar, um dia.
Porquê?
Não sei explicar o que sinto,
Mas não deixes de tocar
Essa sinfonia de céu limpo,
De raio de sol a brilhar.
Até quando?
Vais permitir-me ouvir sempre
As batidas do teu coração?
Não me soltes de repente.
Não me peças perdão.
Esperança…
Não sei como terminar
O que sinto por ti.
A tua melodia está a findar
E quase nem a ouvi.
Sílvia Gonçalves
Visitem o blog: http://rafaelabeleza.blogspot.com/
Uma pessoa que vale mesmo a pena conhecer e que acredito que terá sorte na vida. Daquelas pessoas que olhamos e pensamos para nós: ela não é uma jovem igual a tantas outras. Ela tem potencial.
Responsável, fantasista, atenta e alheia a tudo é assim que te vejo Sónia Rafaela. E eu também aprendo contigo. Contagias com esses olhos enormes que explodem brilho e alegria mesmo tendo em conta as adversidades da vida. És uma guerreira! Contigo nunca haverá gente a caminhar sozinha pela vida.
Acredita em tudo que és e no que podes alcançar. Eu acredito e estarei sempre na primeira fila a apoiar-te.
Quanto à escrita, esvaia sempre tudo o que sentes ainda que te pareça estranho porque o que escrevemos são na mesma vocábulos com a simples diferença de nascerem da tinta e não da voz.
Tu vais muito longe, acredita!
Da amiga…
Ousadácia
Quantas vezes parámos uns momentos a rotina da nossa vida para reflectir se estamos a ser o que queremos e a fazer aquilo que desejamos. Um grande número das vezes a resposta obtida é negativa. Em parte por nossa culpa porque andamos toda a vida a trabalhar para obter objectivos que esquecemos de a viver. Falo em viver livremente. Em parte a culpa é do destino que nos move para caminhos que nunca pensamos percorrer.Depois perguntam-nos como estamos e o que temos feito e nós explicamos, de sorriso no rosto, procurando disfarçar aquele suspiro de desilusão que nos invade nos piores momentos.
Estereotipadamente vivemos bem. Mas falta-nos aquela ousadácia (ousadia + audácia) para quebrar muros e fronteiras e vivermos o agora.
É urgente seguirmos os instintos. É urgente largar a razão. É urgente conservar doses de loucura. É urgente!
Se estamos sós na vida, provavelmente, até sentimos essa solidão mas é bem mais fácil continuar a viver para o cão ou para o gato do que nos lançarmos à paixão.
Ou a pessoa não tem o emprego que gostaríamos, ou é velha ou nova de mais, ou já esteve na prisão, ou não é da mesma cultura que nós, ou ou ou…Basta de hipóteses! Chega de coisas delineadas!
Se amamos devemos lutar. Temos dentro de nós o mais belo dos sentimentos. Ignorá-lo é ignorar a ventura. Se passar com o tempo não faz mal. Foi uma felicidade momentânea que não perde o valor por isso.
Somos demasiado adeptos de regras. Devíamos arriscar. Se pensarmos em tudo que já deixamos escapar por receio certamente que nos sentimos oprimidos. Já se pensarmos nos nossos fracassos sentir-nos-emos aventureiros.
É urgente devastar assim como é urgente criar. Só deste modo haverá espaço para novas plantações e, consequentemente, para novas colheitas.
Coisas que acontecem

Eram o meu refúgio
E que os teus passos
Traduziam o modo certo de andar.
Pensei que tudo que sonhavas
Era possível realizar.
Acreditei que se quisesses
Podias parar o vento,
Podias secar o mar
Com um doce movimento,
Com a força de um olhar.
Perdi-me no teu corpo.
Julguei ser esse o meu lugar.
Lugar infindável,
Feito para amar.
Nem chegaste a saber
Tudo aquilo que sou.
E apesar de sofrer
Não faz mal, já passou.
terça-feira, 18 de agosto de 2009
Amor numa matrícula

Quando alguém viaja, uma das coisas que prende a sua atenção são as matrículas dos automóveis pertencentes ao seu país. Se vamos para fora, ao avistarmos matrículas portuguesas cresce em nós patriotismo ou este nasce, se até então nunca o tínhamos sentido.
Manifestamos uma enorme fraternidade para com esses condutores que, tal como nós, vagueiam por terras tão distantes das origens.
Se, por outro lado, estamos dentro do nosso país o que cresce ou nasce em nós é a falta de civismo e a inimizade. É estranho, mas é o que acontece.
É necessário ir para terras distantes para expressarmos o amor à pátria, o amor à nação?
Depois todo o mundo se queixa dos nossos governantes, quando o amor a Portugal, primeiramente, deveria ser expresso por nós mesmos. Cidadãos activos na vida social pertencente ao seu país de origem, ao país que nos gerou. O patriotismo devia sair de nós de modo genuíno e nunca activado por uma matrícula qualquer.
Esta situação é o mesmo que amar apenas os nossos filhos quando eles estão fora de casa porque dentro estão demasiado perto e nem os notamos.
Conclui-se que é preciso sentir falta para acolher em vez de acolher porque se sente falta.
É o mundo que temos.
quinta-feira, 13 de agosto de 2009
A minha poesia
Estas em que mergulho,
Rompendo alianças e anéis,
Rompendo tristeza e orgulho.
Vida alta.
Vida ousada
Que se vai, já não volta.
Vai até divisar a madrugada.
Sou uma rosa,
Nem sempre negra.
Pois se em mim corre poesia e prosa
De rosa, passo a seda.
Conchas, lamparinas e flores
Nada têm em comum.
São como todas as dores,
Concebidas para cada um.
Meu doce, alado e fiel poema
És o que melhor me sabe escutar.
Absorves-me dilema a dilema.
És o meu suave despertar.
Sílvia Gonçalves
quarta-feira, 12 de agosto de 2009
Doce...não como mel, sim como um beijo

O sacerdote que fez o sermão (e que belo sermão) disse algo que me fez reflectir. Foi mais ou menos assim: Jesus, palavra tão doce que só é possível pronunciar com um beijo.
Inicialmente, esta frase intrigou-me pelo que julguei que fosse uma espécie de metáfora usada para realçar a doçura, a divindade de Jesus. Só depois, alheia ao que se passava à minha volta, pronunciei a palavra “Jesus” para o meu intimo e notei que os meus lábios adquiriam a forma de um beijo. Como aliás os lábios de toda a gente que proferisse a mesma palavra.
Ali, naquele instante, percebi a frase do sacerdote. Frase inteligente, pensei.
Fui criada envolta na fé cristã e só aos 18 anos me dei conta que só conseguimos proferir a palavra “Jesus” com os lábios prontos a beijar. Como que prontos a beijar essa mesma palavra. Coincidência? Há coisas que dão que pensar. Se não fosse o estar ali, naquela igreja, naquele dia, estou certa de que nunca iria dar-me conta deste mistério desarmado.
Quantas vezes estamos tão perto e tão longe de coisas magníficas. Coisas simples que ganham forma e dimensão por isso.
Naquela hora senti-me rica. Mais rica até do que se tivesse lido 20 obras de um escritor romano qualquer.
Há coisas que nos aumentam a sabedoria. E há coisas que, para além disso, aumentam o nosso ser. Esta, nem sei bem porque razão (talvez pela simplicidade) foi uma delas.
segunda-feira, 10 de agosto de 2009
É tudo uma questão de mãos
Em todos os segundos passados uso as mãos. Uso as mãos para sentir, uso as mãos para tocar, uso as mãos para acariciar.Todos os momentos marcantes da nossa vida envolvem mãos. Não que as outras partes do nosso corpo não sejam relevantes. Todas elas têm a dura função de nos proporcionar vida. Mas as mãos…
Todas as emoções que sentimos recaem sob elas e através delas se transmitem. As mesmas mãos que servem para acariciar servem também para ferir.
Costumo olhar para as mãos como quem olha para uma montanha. À primeira vista tão difícil de alcançar como as mãos de quem muito desejamos e depois podemos escalá-la com a simplicidade de um lagarto. Assim como, dotados de humildade e amor, alcançamos as mãos da pessoa mais ausente que temos na nossa vida. Ausente até esse momento.
Para mim, o acto tão banal de dar as mãos continua a ser o mais verdadeiro e sublime de todos. Mais belo que o próprio beijo ou que o abraço.
Ao terminar a guerra apertam-se as mãos. Mãos…símbolo de paz!
Até numa discussão de pessoas que se gostam muito as mãos não param de se acariciar mutuamente. A minha mão na tua e a tua mão na minha. Mesmo sem notarmos, elas enlaçam-se tão meigamente. São mais verdadeiras que nós. E existe imagem mais bela do que essa? Duas partes indispensáveis de corpos diferentes formando uma parte só.
Dedo a dedo as mãos unem-se e dominam a saudade, a tristeza a solidão. Dedo a dedo as mãos dominam o mundo.
As coisas belas da vida passam pelas nossas mãos e é com elas que as saboreamos.
sábado, 8 de agosto de 2009
Amo-te de longe, ou talvez só goste de ti

Tantas vezes te imagino. Soubeste ser especial. És meu bem e meu mal.
É custoso viver assim. Não nego. Mas é bom ter-te, seja de que modo for. E o modo que escolhes-te para mim é um modo bom.
Pertencemos a circunstâncias diferentes. Para mim, isso não é desculpa. A desculpa não existe. Assumo não ter coragem. Mas estou bem assim.
Serás sempre uma pessoa importante. Não é possível quantificar o que sinto por ti, o meu enorme orgulho em tudo que és.
Pessoa quase perfeita. É isso que és para mim.
Estás perto, estás ausente. Já me habituei.
As palavras que um dia me disseste valem esse momento e o agora. Valerão sempre.
Tratas-me de modo diferente. Só ainda não descobri se isso é bom ou mau. O simples facto de ser acalenta as minhas noites vazias. Reformulo: noites de imaginação em que soubeste ser especial.
Aguardo o futuro. Por enquanto é só.
Sílvia Gonçalves
quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Só, perdida e destroçada
Que é feita de espinhos e seda
De tristeza e de mágoa.
Não tenho jardim onde morar
Vivo à deriva do tempo
Sem alimento, estou a secar
Por fora e por dentro.
Cada pétala uma desilusão
Cada espinho um castigo
Árido é o meu coração
E sangra, ferido…
Quem me dera poder ser
Cascata numa floresta
Com água sempre a correr
Purificando o mundo que não presta.
Apenas as raízes me agarram
Não tenho vida nem cor
E os raios de sol amargam
Perdi tudo, não tenho amor.
Anseio uma tempestade
Que me arraste para os confins do Universo
Onde não impere o mal nem falsidade
e onde volte a florescer, suavemente, verso a verso.
Sílvia Gonçalves
A minha fé é real
Tecto por abrigar.
Pássaro livre e sedento,
Rodopiando pelo ar.
Conventos fechados
Sobre a fé do momento,
Disfarçando pecados
E os males do pensamento.
Hipocrisia sem findar.
Desculpas que cegam
Quem julga acreditar
Nas escrituras que se elevam.
Cruzes fictícias
E chagas de mentira
Que enganam as perícias
E as dores de uma ferida.
Sinos que ao tocar
Propagam mortes e horror,
Que fazem o povo gritar,
Aclamando o Senhor.
O meu Deus não faz magia
O que quero, tenho de lutar
Para o obter, um dia.
Não me chega de um altar.
Sílvia Gonçalves
UM DESAFIO
Ali, sentado, contava os dias até voltar para casa. Não gostava daquele lugar. Fora obrigado a mudar-se, com os tios, sem saber bem porquê. “É só por algum tempo Zezinho”-diziam.
Na realidade, é difícil explicar a uma criança de cinco anos, versátil como ele, que o pai estava a morrer, vítima de cancro. Era difícil dizer que ele não podia estar junto do pai durante algum tempo até a doença estabilizar ou……….a vida do seu pai ter um término.
Zezinho não entendia. Sabia que algo não estava dentro da normalidade.
Ali, com o gatito cinzento no colo, olhava pela janela aquela que julgava ser a direcção da sua casa.
ESTA HISTÓRIA NÃO ESTÁ CONCLUIDA! (como deves ter reparado)
LANÇO AQUI UM DESAFIO: algum blog continuar a história, sem a terminar, passando-a a outro blog e assim sucessivamente.
Vamos usar este mundo virtual para cruzar a imaginação de muitos com a originalidade de alguns :)
Quem quiser ser o primeiro a continuar esta história deve deixar um comentário nesta postagem, advertindo da sua intenção a fim de que não continuem com a história mais do que uma pessoa, em simultâneo.
Bjs, fico à espera que gostem de desafios :)
Imaginar é ir mais além, sem sair do lugar!

Se eu me perdesse no deserto? Juro que não sei o que faria. Talvez caminhasse até perder as forças.
Quantas vezes as nossas vidas são desertos: vazias e secas.
Talvez escrevesse: HELP ME na areia, em letras tão grandes quanto o meu desespero, na certeza de que algum ser aéreo (talvez um avião) conseguisse ler o meu pedido. Pedido que duraria apenas os poucos minutos em que o vento não se lembraria de arrastar a areia.
Talvez emitisse sons na esperança de que alguém me ouvisse, quem sabe um animal. Mas por pouco tempo, não podia perder as forças.
Se eu me perdesse no deserto, apesar da esperança da qual o meu corpo é composto, tenho a convicção de que morreria. E tu? Que farias se te perdesses no deserto?
segunda-feira, 3 de agosto de 2009
Tela

Que a névoa tenta ocultar,
Lançando espelhos baços
E ruídos de assustar.
Existem escadas que conduzem
Onde nunca quero estar
E candeeiros que reluzem
O brilho do teu olhar.
De olhos fechados
Alcanço-te melhor.
Vislumbro os momentos passados.
Momentos de eterna luz, eterna dor.
É uma vida pintada a pincel
Esta que sozinha percorro,
Formando a tela mais fiel
De todas as vidas de entre o povo.
Sílvia Gonçalves
domingo, 2 de agosto de 2009
Partes de mim
A pele uso para sentir.O corpo é o meu engenho,
Ao qual recorro para transmitir
Todas as sensações que tenho.
Meus olhos são amoras
Que teimo em cultivar,
Por entre ânsias e demoras,
Sem nunca cegar.
Ao meu suor
Os meus poros não se opõem,
Transpirando também o amor
Que os meus ventrículos compõem.
Tenho unhas de ilusão
E mãos de recados.
Construo o meu coração
Com tijolos de pecados.
Fios de ceda
Nascem em mim
Como erva na alameda
Num dia de frenesim.
Sou partes oblíquas
Que forçadas, se conjugam
Como máquinas agrícolas
Que a terra perturbam.
Sílvia Gonçalves
sábado, 1 de agosto de 2009
Viva o Verão!
Momentos agradáveis,
Enlaçados na água do mar,
Alheios à areia fina.
Momentos quentes,
Momentos molhados.
Sorrisos que cercam
Os acontecimentos normais.
Vozes misturadas
Como bolas de bilhar.
Amizades saudáveis
Pairam pelo ar.
Nuvens em baixo e em cima
Dos beijos calmos e ardentes.
Namorados enrolados
Que já nem pecam,
São actos banais.
Toalhas molhadas
Teimam em reinar.
Sílvia Gonçalves
Tempo para reflectir

Cansada da minha carcaça (gostava de vestir outra pele)
Como eu gostavaDe ser sobrenatural.
A humanidade limita-me.
Gostava de não ter barreiras,
De poder voar,
De passar entre o fogo.
Gostava de morrer
E acordar quando quisesse.
A humanidade limita-me.
Gostava que tudo
Fosse acaso.
E acontecesse
O inesperado.
Gostava de atingir o inimaginável,
De chegar ao impossível.
Adorava ser uma criatura
Diferente e livre.
A humanidade limita-me.
Amava tocar todas as sinfonias
Num piano quebrado.
Eu só queria ser um monstro belo,
Um mostro com sentimentos.
Ter asas e velocidade.
Eu queria não pertencer aqui,
Queria ser doutra galáxia.
Mas…
A HUMANIDADE LIMITA-ME.
Sílvia Gonçalves
Morre lentamente…

…quem não sabe amar,
Quem foge dos perigos,
Quem cai na rotina,
Quem teme arriscar,
Quem nunca anda à chuva,
Quem não segue a emoção,
Quem planeia toda a vida,
Quem nunca salta o portão,
Quem não sabe abraçar,
Quem desaprendeu a sorrir,
Quem nunca pisa o risco,
Quem vive a dormir,
Quem se protege de tudo,
Quem não anda descalço,
Quem não se lança ao mar,
Quem não percorre o mundo,
Quem só fala com quem conhece,
Quem não se lança num amor proibido,
Quem nunca abusa do que gosta,
Quem nunca faz alarido.
Morre lentamente
Quem não sabe durar,
Quem teme ser diferente
E se recusa a amar.
Sílvia Gonçalves
Alta tensão

Faíscas que caem.
Paredes de horror,
Fantasmas que saem.
Vidros partidos,
Véus rasgados.
Sonhos feridos,
Momentos apagados.
Alta tensão,
Que aumenta
O bater do coração.
Arde o sabor a menta.
Prendem-me o corpo
Com cadeados de aço.
Corpo vivo, corpo morto.
Corpo sem braços.
Momentos cristalizados
Com o sémen da vida.
Olhos abertos, olhos fechados.
Estanca-me a ferida.
Rumo desajeitado,
Este que me cerca
Para todo o lado,
Onde a essência peca.
Sílvia Gonçalves
Ideal de beleza? Para quê?
Não existem seres iguais,Tirando excepções diminutas.
Então, não fazem sentido os ideais
Que nos conduzem a disputas.
Todos somos belos, simplesmente.
Não há como saber quem o é mais.
Isso seria apelidar alguém de diferente,
Fugindo das regras normais.
Olhos verdes, azuis, castanhos
Que diferença faz?
Para quê cuidados tamanhos?
O essencial é usufruir de paz.
Rugas ou pele lisa.
A pele é para sentir
Mesmo a melodia imprecisa
De quem já não sabe ouvir.
A beleza é relativa
Eu posso gostar de quem não gostas.
Achar uma pessoa atractiva
Mesmo apenas vendo-a de costas.
Não fazem sentido algum
As exclusões.
Adão era só um,
Logo não sofreu comparações.
Eva amou-o desde logo.
Mas e se houvessem mais?
Escolheria Adão de entre o povo
Ou render-se-ia às comparações fatais?
Eva e Adão,
Histórias sem certeza.
Mas o que importa é o coração
E não a suposta beleza.
Sílvia Gonçalves
Há momentos em que me apetece escrever aos fragmentos…
Es tou dis tan te,Alhe ia a tu do
Co mo um vi a jan te,
Em ro ta pe lo mun do.
Sou pe da ços un i dos
Com von ta de i ne ren te,
Que fo ge dos pe ri gos
Nu ma lu ta cres cen te.
Há alturas, nesta caminhada denominada vida, que só escrevendo de acordo com o nosso estado de espírito é que as palavras se espraiam e conseguimos comunicar. Portanto, hoje, sinto-me fragmentada. Não fragmentada como uma estrela-do-mar mas fragmentada como um pedaço de papel que se rasga sem notar. Da estrela, resta-me apenas algum brilho que faço questão de preservar. Há momentos assim…
Sílvia Gonçalves
segunda-feira, 20 de julho de 2009
Tempestade em nós

Há dias em que apenas chove no meu mundo...Chovem saudades, chovem intrigas, chovem conflitos, chovem tristezas...
Tudo o que faço é abrir o guarda-chuva dos sorrisos e mostrá-lo ao mundo. Porque, quando chove em nós mesmos, mesmo ao nosso lado pode estar o sol mais brilhante do mundo.
Não se deixem molhar!
Sílvia Gonçalves
Identidade

Chamo-me apatia
Porque a alma me consome,
Seja noite seja dia.
A vida para mim mudou.
Já não sou quem era.
Agora eu sou
A apatia que cega.
Este letargo,
Que em mim se exalta
Mergulha-me num lago
De maré baixa e maré alta.
Já não sou uniforme.
Agora, vou sendo.
Mudei de nome.
Vou renascendo.
Sílvia Gonçalves
Fusão

Há dias em que me apetece
Fundir com a Natureza.
Ser uma montanha agreste,
Ser o mar azul-turquesa.
Fazer do meu coração
A vida de um planalto.
Ser a lava de um vulcão,
Ser raiz presa no asfalto.
Fazer das minhas veias
As veias da terra.
Ser parte das teias
De uma aranha negra.
Há dias em que me apetece
Mudar de temperamento.
Evocar uma prece
E soltar o cabelo ao vento.
Sílvia Gonçalves
domingo, 19 de julho de 2009

Soltava as pétalas ao vento
E guardava todo o calor
Para dormir ao relento.
Se eu fosse mar?
Desprendia-me dos rochedos
Para poder respirar,
Libertando todos os medos.
Se eu fosse horizonte?
Guardaria todos os navios
E seria a fonte
De tesouros perdidos.
Se eu fosse bola de sabão?
Preferia ser palhaço
Para te tocar o coração
E te dar mais um abraço.
Se eu fosse imortal?
Cansar-me-ia da vida
Porque viver uma vez é normal
Mas mais que isso já é teimosia.
Sílvia Gonçalves
sábado, 18 de julho de 2009
Para o blog "Pedaços de qualquer coisa"
O fim do princípio

Todos nós somos
Animais.
Então porque nos impomos?
Por sermos racionais?
Destruímos o mundo
Com a ciência e a tecnologia
Mesmo sabendo, lá no fundo,
Que tudo isto é excesso de ousadia.
Criam-se curas para salvar
E curas para abater.
Quando é que a humanidade vai notar
Que o planeta está a morrer?
Agimos no hoje,
Esquecendo o amanhã.
É um egoísmo que vem de longe
E jamais terminará.
Não vos faz pena
Matar os animais?
Não é isto um problema?
Seres tão únicos e leais.
Para espiar
Criou-se o GPS.
Depois, para relaxar
Inventa-se pastilhas anti-stress.
Que raiva que me causa
Este mundo artificial.
É uma raiva que não pausa
Envolta neste “paraíso” fatal.
Continuem a pensar no comodismo
E a guiar esta triste frota.
Eu até vou usar um eufemismo
Ao dizer que vamos todos bater a bota.
Mas o Homem não pensa assim.
Acha-se um Deus, um dominante.
E quando já só restar o fim
Não haverá ciência que se levante.
E, embora humana, digo
Que aí o Homem havia de sofrer.
Havia de perder o rumo e o sentido,
Pagando pelas vidas que deixou morrer.
Sílvia Gonçalves
sábado, 11 de julho de 2009
Carta desviada
OláMeu grande amor!
Escrevo-te para dizer
Múltiplas coisas que sinto.
O meu coração já está a aquecer,
Sabes que não minto
E só agora comecei a escrever.
Mas o que dizer por palavras?
Coisas que nem o coração
Consegue alcançar.
Não da para transmitir por quadras
Nem através das ondas do mar.
São sentimentos profundos,
Que quebram as defesas
Do vazio
E atravessam diversos mundos,
Perpassam fortalezas,
Nadam no rio.
Coisas que me tornam
Tão pequena.
Coisas que transbordam
Da minha alma serena.
Não cabes dentro de mim
E eu dentro de ti não estou
Como poderei viver assim?
Quando pequena já não sou.
Sílvia Gonçalves
Porque há coisas que nunca se esquecem...

Porque há coisas que o tempo não apaga, o vento não leva e o coração não esquece, é chegado o momento de postar algo dedicado a uma grande amiga e prima! Espero, com isto, retribuir o teu acróstico :)
Para quem não a conhece, este poema será exclusivamente dedicado a uma prima muito especial que começava as cartas de infância deste modo: “já sei, a carta é enorme. Bem, só espero que quando acabares de ler ainda te lembres do início.” ou então assim: “ esta carta é um bocado meia toda ridícula mas é a minha mais melhor boa preferida.”
Parece estranha? Isto ainda não é nada :)
Mas o certo é que são as pessoas invulgares que mais relembramos…
Danni, o meu poema para ti aqui vai:
Era uma vez:
Duas crianças
Que, contando até três,
Desembrulhavam esperanças.
Tinham no seu ser
Uma alegria sem fim.
Apenas queriam viver
Como flores de um jardim.
Brincadeiras, travessuras…
Sempre unidas,
Vivendo aventuras
Desmedidas.
Desde as anedotas,
Passando pelas partidas
Ocultas atrás de portas
Ou de roupas escondidas.
Livres, soltas, sonhadoras,
O mundo era o nosso lar.
Sem leis, espaços nem horas
Era sempre tempo de brincar!
Sílvia Gonçalves
sexta-feira, 10 de julho de 2009
Pensamentos vãos

E se eu caísse do céu,
Ao tropeçar num astro
E aterrasse num ilhéu
Ou no cimo de um mastro?
E se perdesse a identidade
E tudo o que daí pode advir,
Pela força da gravidade,
Uma vez que estava a cair?
E se eu ganhasse asas
No momento da queda?
E pousasse em casas
Feitas de pedra?
E se eu parasse de sonhar,
Acordando para a realidade?
Certamente iria constatar
Que ganhar asas e voar
Não é próprio da humanidade.
Sílvia Gonçalves
Amar
E querer apenas uma flor.
Amar é o que és para mim
E assim se vive o amor.
Temos todo o mundo
Mas falta sempre alguém,
Que nos acalme e abrace
E que nos ame também.
Amar é sentir, de repente
Essa tua pele quente.
É sentir falta,
É chorar.
É subir uma montanha
Só pelo prazer de a escalar.
És um oceano
Liberto do mar,
Que de mim está perto
Mesmo se estando a afastar.
Por entre noites
Solitárias,
Angustiantes,
Sinto sempre uma presença,
Uma alma que se esconde.
Amar é quem pensa
Levantar-se sempre,
Ainda que tombe.
Nos caminhos vazios do infinito
Por vezes, solta-se o grito
Que nos diz o que realmente é amar.
E os sentimentos desprendem-se, a flutuar.
E como a ínfima migalha de pão
Tem o seu valor,
Tu vales para o meu coração
E assim se vive o amor.
Sílvia Gonçalves
segunda-feira, 6 de julho de 2009
(Vi)ver-te
Amar-me-ás sem saber?
domingo, 5 de julho de 2009
Tu e a noite

A noite saiu à rua,
Num dia especial,
Em que a tua amargura
Que, normalmente, perdura
Se tornou fatal.
Ela vestiu-se de negro
De uma forma ocasional,
Livre no seu enredo,
Ela saiu, sem medo
E tu, com esse ar fatal.
Parecias mais sombrio
Que ela.
Envolto nessa amargura,
Caíste do poderio.
O calor passou a frio
E acendeste uma vela.
Sílvia Gonçalves
quarta-feira, 1 de julho de 2009
Deturpando a realidade

É possível de aproximar,
Subornando-se a realidade
Com uma quantia exuberante,
Semelhante à água do mar,
Que é o chão do navegante.
O infinito
É possível contabilizar,
Subornando-se a realidade
Com uma quantia incalculável,
Semelhante ao amor de um lar,
Que é a base de uma sociedade aceitável.
O passar do tempo
É possível fazer parar,
Subornando-se a realidade
Com uma quantia desmedida,
Semelhante ao oxigénio do ar,
Que é essencial à vida.
A realidade
É possível falsificar,
Subornando-se a razão
Com uma quantia inatingível,
Que provém do coração
E evoca um som audível,
Na hora da negociação.
Sílvia Gonçalves
A matéria da vida
Sem uma lição estudada,
Com um desconhecimento profundo
E um caderno de nada.
Possuíamos existência, apenas.
Não tínhamos manual de instruções,
O que nos causava dilemas,
Sem aparentes soluções.
Gradualmente, fomos concebendo
Um saber algo abrangente.
O passado íamos retendo
Em função do presente.
Cada experiência,
Uma página caligrafada.
E, através da convivência,
Íamos enchendo o caderno do nada.
Num comportamento terno
E sem exagerado aparato,
Descobrimos que este caderno
Era o nosso auto - retrato.
Era um caderno normal
Cuja capa não era forte.
E quando chegou ao final
Metaforizou a morte.
Sílvia Gonçalves
quarta-feira, 24 de junho de 2009
Sentimento
Esse teu olhar
Envolve todo o meu ser.
A tua essência é pura,
Faz-me adormecer
E sonhar
Num mundo que perdura,
Que não faz doer.
Os teus gestos
São folhas ao vento.
E os teus afectos,
Livres e breves,
São naturais e incertos,
São flocos de neve.
Não poder envolver-me
Na tua galáxia perdida
Não acalenta o meu coração.
Mas sei que me sentes
Quando me estendes a mão,
Quando me fechas uma ferida.
Certamente que és
Uma nuvem do céu.
E eu serei para sempre
Um anjo teu.
Com as minhas asas,
Elevar-te-ei ao infinito.
Com a tua suavidade,
Irás desprender-me o grito:
AMO-TE
Sílvia Gonçalves





