domingo, 7 de fevereiro de 2010

A ironia é ambicionar serem sonhos algumas das minhas realidades. Coisas más que vivi, bem poderiam ter sido pesadelos. Mas não. Como sempre, não posso escolher o destino. Sopro ao de leve para mudar o seu percurso. Às vezes resulta, outras não.
São pétalas derrubadas as minhas investidas. Mas nem sempre. Já alcancei o pedestal saltando de pluma em pluma. E em saltos diversos fui ancorar no mar mais profundo.
Houve ainda aquela outra vez em que, suspensa num balão de cristal fui derivar a uma ilha. Mais tarde, esta imergiu. Ou melhor, o Oceano degolou-a.
Mas o que não me sai da memória foi o instante em que escorreguei na lama das artérias da minha mãe. E não bastou o equilíbrio que atingi lá no fundo, acabando por sair para o exterior. Esse sonho, essa dádiva, essa realidade resolvi chamar de: o meu nascimento.


Fim

Sílvia Gonçalves

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