sábado, 1 de agosto de 2009

Cansada da minha carcaça (gostava de vestir outra pele)

Como eu gostava
De ser sobrenatural.
A humanidade limita-me.
Gostava de não ter barreiras,
De poder voar,
De passar entre o fogo.
Gostava de morrer
E acordar quando quisesse.
A humanidade limita-me.
Gostava que tudo
Fosse acaso.
E acontecesse
O inesperado.
Gostava de atingir o inimaginável,
De chegar ao impossível.
Adorava ser uma criatura
Diferente e livre.
A humanidade limita-me.
Amava tocar todas as sinfonias
Num piano quebrado.
Eu só queria ser um monstro belo,
Um mostro com sentimentos.
Ter asas e velocidade.
Eu queria não pertencer aqui,
Queria ser doutra galáxia.
Mas…
A HUMANIDADE LIMITA-ME.

Sílvia Gonçalves

1 comentário:

Le Enfant Terrible disse...

A humanidade é limitada, mas não será o resto limitado também? Porquê, porque deixava-mos de sonhar, já que tudo podia-mos fazer!